Pai de Vorcaro manteve repasses de R$ 400 mil para "A Turma" e buscou dados sigilosos após operação da PF
Decisão judicial cita mensagens que apontam pagamentos ao grupo investigado e consultas ilegais em sistemas da Polícia Federal
247 - A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (14) a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de ameaças, invasões de dispositivos e ações de intimidação relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os alvos da operação estão três hackers suspeitos de atuar para o grupo conhecido como “A Turma”, investigado por supostamente promover ataques e ameaças sob orientação de Vorcaro. Segundo as investigações, eles teriam trabalhado para remover conteúdos negativos sobre o ex-banqueiro na internet e impulsionar publicações favoráveis a ele.
A ação também resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, além de um agente da Polícia Federal que estava na ativa. De acordo com a PF, a ofensiva desta quinta-feira busca aprofundar as apurações sobre pessoas ligadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Mourão era suspeito de integrar uma espécie de milícia privada que teria atuado em favor de Daniel Vorcaro. Ele morreu em março deste ano após cometer suicídio no momento em que era preso pela Polícia Federal.
As investigações da nova fase da Compliance Zero apontam para possíveis práticas de intimidação, coerção, obtenção ilegal de informações sigilosas e invasões a dispositivos eletrônicos. A defesa de Henrique Vorcaro foi procurada pela Folha de S.Paulo, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.
Além das prisões, uma delegada da Polícia Federal em Minas Gerais foi alvo de mandado de busca e apreensão e acabou afastada do cargo. Um delegado aposentado também foi alvo de buscas.
Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).



