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“Vorcaro é um rebento do governo Bolsonaro”, diz Haddad

Ex-ministro aponta ligações diretas entre o clã Bolsonaro e o caso Master após a revelação de conversas entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)
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247 - O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quarta-feira (13) que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, possui ligações diretas com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas durante um evento promovido pelo grupo Direitos Já! Fórum pela Democracia, em São Paulo.

Haddad comentou as revelações envolvendo mensagens e áudios trocados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro, divulgadas pelo Intercept Brasil. Segundo a reportagem, o banqueiro teria financiado parte da produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro, atual presidente dos Estados Unidos.

Durante sua fala, Haddad afirmou que não há separação entre o grupo político bolsonarista e o empresário.

“Não existe uma possível relação entre os Bolsonaro e o Master. É uma coisa só. Daniel Vorcaro foi autorizado a operar pelo presidente do BC indicado pelo Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro, Tarcísio recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro, o ministro da Casa Civil [do governo Bolsonaro] tem relação com o Daniel Vorcaro, o ministro da Secom do Bolsonaro tem relação com o Daniel Vorcaro. A ministra da SRI [Secretaria de Relações Institucionais] do Bolsonaro tem relação com o Daniel Vorcaro. Toda a relação do Daniel Vorcaro é com o governo Bolsonaro. Daniel Vorcaro é rebento do governo Bolsonaro”, disse.

O petista também ironizou a repercussão das mensagens divulgadas pela imprensa. “Hoje saiu um áudio do Flávio Bolsonaro, o dólar já sobe, a Bolsa já não sei o quê... Estão exagerando. O cara pede uma contribuição de R$ 134 milhões para a família dele, e o pessoal está apavorado com isso. Normal, um amigo seu, você nunca fez isso? Várias vezes, né?”, questionou.

Mais tarde, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi questionado sobre o caso durante entrevista coletiva relacionada à explosão ocorrida no Jaguaré, na Zona Oeste da capital paulista, mas evitou comentar o assunto. “Vou tratar deste assunto aqui no dia de hoje. Isso aí não é pauta”, disse.

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”. De acordo com a publicação, o banqueiro teria desembolsado R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para a produção do filme.

Os valores, segundo a reportagem, foram transferidos para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A TV Globo informou ter confirmado com investigadores e pessoas ligadas ao caso a autenticidade do áudio e das mensagens obtidas pelo Intercept.

Ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro foi abordado por jornalistas sobre o tema, mas minimizou o caso, afirmando apenas que se tratava de “dinheiro privado”.

Ainda segundo o Intercept, parte dos pagamentos teria sido realizada por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro. O empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, confirmou à publicação que intermediou as negociações para um aporte de R$ 62 milhões no projeto cinematográfico.

As conversas divulgadas mostram momentos de pressão por parte de Flávio Bolsonaro para que os pagamentos fossem mantidos. Em um dos trechos revelados, o senador afirma que a produção atravessava um período delicado.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”.

Em outra troca de mensagens, publicada pelo Intercept, Flávio Bolsonaro pede uma resposta de Vorcaro sobre os repasses. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Após uma resposta enviada pelo banqueiro em mensagem de visualização única, o senador respondeu: “Amém”.

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