Aliados já esperam novas revelações contra Flávio Bolsonaro: “pode ter escondido muito mais”
Membros do PL veem quebra de confiança do senador após a divulgação de conversas com Daniel Vorcaro
247 - A divulgação de conversas e da relação de proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou forte desconforto entre aliados do parlamentar e acendeu o alerta dentro do PL sobre possíveis novos desdobramentos do caso. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo e revelam um clima de apreensão entre integrantes da direita ligados ao pré-candidato.A principal insatisfação de aliados não está apenas no pedido de financiamento para o filme Dark Horse, mas no fato de Flávio ter negado publicamente e também a interlocutores próximos qualquer relação com Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Áudios e mensagens divulgados posteriormente mostraram uma relação de intimidade entre os dois, incluindo o senador chamando o empresário de “irmão” e tratando de encontros pessoais.
Nos bastidores do PL, lideranças avaliam que o desgaste poderia ter sido menor caso o senador tivesse comunicado previamente aos aliados sobre o acordo de financiamento para a produção audiovisual. A percepção interna é de que a falta de transparência dificultou a construção de uma estratégia de reação coordenada e deixou correligionários expostos politicamente.
Parlamentares ouvidos reservadamente pela Folha afirmam que o temor agora é o surgimento de novas revelações envolvendo Flávio Bolsonaro. Um integrante do partido resumiu a preocupação ao afirmar que a sensação deixada é a de que, “se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais”.
Apesar do desgaste, a avaliação predominante dentro da legenda é de que o episódio ainda pode ser superado até o período eleitoral, especialmente se outras figuras políticas também forem atingidas pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Até o momento, dirigentes do partido mantêm a pré-candidatura de Flávio e descartam mudanças na chapa.
O caso ganhou dimensão após a revelação de que o senador teria solicitado e recebido R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A situação é considerada menos grave por integrantes do PL quando comparada à investigação envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de receber R$ 300 mil mensais para defender interesses do banco no Congresso. Ciro nega irregularidades.
Mesmo assim, integrantes da base bolsonarista admitem reservadamente que novas denúncias podem inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro e abrir espaço para o crescimento de outros nomes da direita, como o ex-governador Romeu Zema (Novo).
Após a divulgação das conversas, Zema endureceu o discurso contra o senador. O ex-governador afirmou que a atitude de Flávio era “imperdoável” e representava “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
Já o governador Ronaldo Caiado (PSD) declarou inicialmente que o senador precisava esclarecer sua relação com Vorcaro. Posteriormente, divulgou um vídeo defendendo a unidade da centro-direita e afirmando que “o fundamental é derrotar o PT e o Lula” no segundo turno da eleição.
Aliados de Flávio Bolsonaro sustentam que não houve ilegalidade no pedido de financiamento e afirmam que os recursos não envolveram dinheiro público nem contrapartidas políticas. Segundo eles, o Banco Master operava regularmente com autorização do Banco Central à época dos fatos.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), integrante do grupo responsável pela campanha digital do senador, minimizou os impactos da crise. Em declaração à Folha, afirmou: “Não há ilegalidade em pedir um financiamento, principalmente quando não se tem acesso à Lei Rouanet. Lula e [Michel] Temer também tiveram filmes financiados por Vorcaro”.



