Joice denuncia esquemão no governo Bolsonaro para favorecer o Master
Deputada afirma que pedido de US$ 24 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro indica possível esquema de favorecimento político
247 - A ex-deputada federal Joice Hasselmann voltou a atacar integrantes do clã Bolsonaro após a divulgação de uma reportagem do Intercept Brasil sobre negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a publicação, Flávio teria solicitado um financiamento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para a produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
As informações, reveladas pelo Intercept Brasil com base em mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários, causaram forte repercussão em Brasília. De acordo com a investigação, pelo menos US$ 10,6 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações ligadas ao projeto audiovisual.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Joice Hasselmann afirmou que o caso expõe um “esquemão” envolvendo o governo Bolsonaro e o Banco Master. A ex-parlamentar foi enfática ao comentar a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
“Flávio Bolsonaro foi pego com a boca na botija nos esquemas envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro. Hoje, áudios e mensagens de textos que foram exibidas pelo The Intercept causaram um furor em Brasília. Aliás, no mundo político como um todo”, disse a deputada.
Joice também questionou o valor negociado para a produção do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e comparou o montante com produções internacionais e nacionais de grande repercussão.
“Flávio Bolsonaro pediu, de acordo com esses áudios e essas mensagens, 24 milhões de dólares para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. 24 milhões de dólares, gente, são 134 milhões de reais. Isso é mais do que, olha, a grande maioria de grandes produções hollywoodianas”, apontou.
A ex-deputada ainda citou o filme brasileiro Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar, para reforçar sua crítica aos valores envolvidos na negociação.
“Pra você ter uma ideia, o filme Ainda Estou Aqui, que ganhou Oscar, inclusive, ele custou 1 milhão e 800 mil dólares. Então, é só você fazer a conta pra saber o tamanho desse esquema”, criticou.
Segundo a reportagem do Intercept, os recursos teriam sido destinados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. A publicação também revelou mensagens que indicariam forte proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Entre os registros obtidos pelo portal está uma mensagem enviada pelo senador ao banqueiro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Daniel Vorcaro foi preso no dia seguinte sob acusação de comandar um esquema de fraude que teria provocado um prejuízo estimado em R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central.
Joice Hasselmann afirmou que o conteúdo das conversas reforça suspeitas sobre a destinação real dos recursos negociados para o filme. “Um filme feito sobre Jair Bolsonaro jamais custaria 10% desse valor. Pra onde iria este dinheiro? Para o bolso de quem? Pra financiar a campanha, ilegalmente? Pra fazer mais esquema?”, questionou.
Ela também levantou suspeitas sobre possíveis esquemas de publicidade e pagamento de propina durante o governo Bolsonaro. “Então, se Daniel Vorcaro tiraria do banco 134 milhões, é porque recebeu muito mais do que isso em esquemas do governo Jair Bolsonaro. E é aí que a gente tem que chegar. Esquemas envolvendo publicidade. Esquemas envolvendo laranjas que levavam propina e tiravam muita propina dos ministérios”, afirmou.
Ao final de sua declaração, Joice afirmou que o escândalo atinge diretamente o senador Flávio Bolsonaro e amplia a crise política em torno do caso Banco Master. “Isso caiu como uma bomba na cabeça de Flávio Bolsonaro. Que tá tentando explicar, correndo atrás do rabo, mas não vai conseguir se explicar, porque é bandido engolindo bandido nesse caso. Depois de Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro é o segundo político que cai nesse escândalo do Banco Master”, completou Joice.



