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Empresa ligada a filme sobre Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de Vorcaro

Empresa ligada a filme sobre Bolsonaro é citada em relatórios do Coaf sobre fundos investigados pela PF no caso Banco Master

Empresa ligada a filme sobre Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de Vorcaro (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 - A empresa Entre Investimentos, apontada como intermediária de repasses relacionados ao filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal no caso Banco Master. As informações são do g1.

De acordo com relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citados pelo g1, os valores partiram de empresas ligadas ao Banco Master que mantiveram algum tipo de relação com a Entre Investimentos e Participações.

A Entre Investimentos teria atuado em repasses determinados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Vorcaro está preso em Brasília e é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que, segundo a investigação, pode chegar a R$ 12 bilhões.

O caso ganhou nova dimensão após reportagem do Intercept Brasil revelar mensagens e um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, cobrando de Vorcaro pagamentos ligados ao filme sobre seu pai. Segundo a apuração, o acordo previa um total de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos pelo dono do Banco Master.

A empresa integra o grupo Entrepay, de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A Entrepay foi liquidada em março pelo Banco Central. A decisão foi tomada após o BC apontar “comprometimento da situação econômico-financeira” da instituição, além de irregularidades no cumprimento das normas do setor e prejuízos considerados capazes de expor credores a risco anormal.

Segundo os relatórios, a maior parte dos repasses à Entre Investimentos veio da Sefer Investimentos. A empresa transferiu R$ 139,2 milhões e foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, por suas relações com Daniel Vorcaro.

Outro repasse relevante, de R$ 20 milhões, teria partido do fundo Gold Style, administrado pela Reag. O fundo também é ligado ao banqueiro dono do Banco Master e, segundo as investigações, movimentou quase R$ 1 bilhão de empresas apontadas pela Polícia Federal como parte de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro.

O fundo Dublin, ligado à Sefer, repassou outros R$ 154,2 milhões à investidora. Os relatórios também mencionam transferências feitas por empresas que não aparecem diretamente associadas a Vorcaro, mas constam em outras frentes de investigação.

Entre elas está a Inovanti Bank. Segundo informativo bancário recebido pelo Coaf, a instituição também teria movimentado dinheiro da facção criminosa paulista e enviado R$ 35,7 milhões para a Entre Investimentos.

Os documentos apontam ainda fluxo financeiro em sentido oposto. A Entre Investimentos teria transferido R$ 87,7 milhões para a RMD Instituição de Pagamento, antiga RMD Administração Empresarial, empresa suspeita de operar para o PCC.

As informações sobre o filme Dark Horse foram reveladas pelo Intercept Brasil. Segundo o portal, a Entre Investimentos e Participações aparece em mensagens trocadas sobre o tema entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.

A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ouviu o publicitário Thiago Miranda, identificado pelo Intercept como o responsável por aproximar Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Miranda confirmou ter intermediado as negociações para que o banqueiro aportasse R$ 62 milhões na produção cinematográfica.

À coluna, Thiago Miranda afirmou que os repasses foram interrompidos com a crise no Banco Master. Ele também disse que a participação de Vorcaro no financiamento do filme não seria divulgada publicamente.

Fundada em 2022, a Entrepay Instituição de Pagamento atua no setor de tecnologia voltada a meios de pagamento. A empresa oferece infraestrutura para que estabelecimentos aceitem transações com cartão, conectando lojistas, bandeiras e bancos, além de processar e liquidar operações.

Com sede em São Paulo, a companhia também mantém um portal para desenvolvedores, usado na integração de sistemas e na expansão de sua atuação no mercado digital. A Entrepay faz parte do Grupo Entre, ecossistema que reúne empresas de tecnologia e serviços financeiros.

Criado em 2016, o Grupo Entre cresceu por meio da aquisição de empresas dos segmentos de meios de pagamento e crédito. A estrutura afirma reunir 26 companhias e cerca de 700 funcionários. Em 2022, a holding adquiriu a operação brasileira da Global Payments, operação que deu origem à Entrepay.

A crise da Entrepay se agravou após relatos de lojistas sobre atrasos no repasse de valores obtidos em vendas feitas por maquininhas. Em dezembro do ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários analisou possíveis irregularidades no mercado financeiro envolvendo o grupo.

No principal processo citado, a CVM rejeitou um acordo de aproximadamente R$ 21,3 milhões apresentado por empresas e executivos, incluindo Entre Investimentos, Banco Master e Viking Participações. O caso envolve suspeitas de operações fraudulentas com cotas de um fundo imobiliário.

Apesar de uma recomendação favorável de um comitê técnico, o colegiado da autarquia decidiu não aceitar a proposta. Com isso, o processo continua em andamento e ainda pode resultar em punições, como multas e impedimento de atuação no mercado.

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