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Apoio ao fim da escala 6x1 cresce e atinge 71% dos brasileiros, aponta Datafolha

Pesquisa mostra aumento do respaldo popular à redução da jornada semanal de trabalho e indica que maioria acredita em melhora na qualidade de vida

Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6x1 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala de trabalho 6x1. O apoio à mudança aumentou nos últimos meses e já alcança 71% da população, segundo levantamento do instituto Datafolha realizado entre 3 e 5 de março.De acordo com dados divulgados pela Folha de S.Paulo, a pesquisa indica crescimento em relação ao levantamento anterior, feito em dezembro de 2024, quando 64% defendiam a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. No novo estudo, 27% dos entrevistados disseram ser contrários à mudança e 3% não opinaram.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Debate no Congresso e posição do governo

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ocorre atualmente no Congresso Nacional. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem indicado que a prioridade do debate não é apenas o modelo de dias trabalhados, mas a redução da jornada semanal de trabalho.

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a proposta defendida pelo governo prevê diminuir a carga semanal de 44 para 40 horas sem reduzir salários. Em entrevista à Folha, ele afirmou:

"A lei tem que estabelecer a redução de jornada sem redução de salário, e a grade, com dois dias de descanso na semana, deve ser definida pelas negociações."

Essa posição representa uma flexibilização em relação à proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê redução mais ampla da jornada semanal, de 44 para 36 horas.

Perfil dos trabalhadores e apoio à medida

A pesquisa também investigou o perfil da população economicamente ativa. Entre os entrevistados, 53% afirmam trabalhar até cinco dias por semana, enquanto 47% dizem atuar seis ou sete dias.

Curiosamente, o grupo que trabalha mais dias demonstra apoio um pouco menor ao fim da escala 6x1. Entre aqueles que trabalham seis ou sete dias, 68% apoiam a mudança. Já entre os que atuam até cinco dias por semana, o apoio chega a 76%.

O levantamento sugere que parte dessa diferença pode estar relacionada ao perfil profissional. Entre quem trabalha mais dias, há maior presença de autônomos e empresários, para quem jornadas mais longas podem representar aumento de renda. Já entre trabalhadores com jornadas de até cinco dias, há maior participação de servidores públicos, cuja remuneração não costuma variar com o número de horas trabalhadas.

Quanto à carga diária, 66% dos entrevistados afirmam trabalhar até oito horas por dia. Outros 28% dizem atuar entre mais de oito e 12 horas diárias, enquanto 5% relatam jornadas superiores a 12 horas.

Impactos esperados para empresas e economia

A percepção sobre os efeitos da mudança nas empresas aparece dividida. Para 39% dos entrevistados, a redução da jornada teria impactos positivos, enquanto o mesmo percentual acredita em consequências negativas.

Na pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2024, a visão pessimista era ligeiramente maior: 42% apontavam possíveis efeitos negativos para as empresas.

Especialistas também divergem sobre os efeitos econômicos da medida. Algumas análises apontam que a redução da jornada poderia elevar custos empresariais, reduzir vagas formais e afetar o Produto Interno Bruto (PIB). Outros estudos indicam que os impactos poderiam ser administrados com planejamento, com aumento pontual de despesas e sem crescimento significativo do desemprego.

Qualidade de vida dos trabalhadores

Quando a análise se volta para os trabalhadores, o otimismo é maior. Segundo o Datafolha, 76% dos entrevistados acreditam que a redução da jornada seria ótima ou boa para a qualidade de vida.

Entre quem trabalha até cinco dias por semana, esse índice chega a 81%. Já entre aqueles que atuam seis ou sete dias por semana, o percentual é de 77%.

Em relação aos efeitos para a economia brasileira como um todo, metade dos entrevistados (50%) acredita que o impacto será positivo. Outros 24% avaliam que os efeitos podem ser negativos.

No plano individual, 68% dos entrevistados afirmam que o fim da escala 6x1 teria impacto positivo em suas próprias vidas.

Tempo livre e rotina de trabalho

O levantamento também investigou como os brasileiros percebem seu tempo para descanso e lazer. Quase metade dos entrevistados (49%) afirma ter tempo suficiente para essas atividades. Já 43% dizem que o tempo disponível é insuficiente, enquanto 8% consideram que têm mais tempo do que o necessário.

Entre os trabalhadores que atuam seis ou sete dias por semana, 59% avaliam que não possuem tempo suficiente para descanso e lazer — proporção que é praticamente o dobro da registrada entre quem trabalha até cinco dias (29%).

Diferenças por posicionamento político

O apoio à mudança também varia de acordo com preferências políticas. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, 55% apoiam o fim da escala 6x1, enquanto 43% são contrários.

Já entre os eleitores de Lula, o apoio é mais amplo: 82% defendem a redução da jornada semanal e 16% são contrários.

A percepção sobre os efeitos econômicos da medida também acompanha essa divisão. Entre os eleitores de Lula, 63% acreditam que a mudança traria impactos positivos para a economia. Entre os eleitores de Bolsonaro, esse índice cai para 37%.

Religião, idade e gênero influenciam opiniões

O levantamento também aponta diferenças de opinião segundo religião, idade e gênero.

Entre católicos, 69% apoiam o fim da escala 6x1, enquanto entre evangélicos o percentual é de 67%. Já entre pessoas que frequentam igrejas mais de uma vez por semana, o apoio cai para 63%, enquanto entre aqueles que frequentam apenas uma vez por ano chega a 81%.

No recorte etário, o apoio é maior entre jovens. Entre entrevistados de 16 a 24 anos, 83% defendem a redução da jornada. O índice cai para 75% entre pessoas de 35 a 44 anos e chega a 55% entre os com 60 anos ou mais.

No recorte de gênero, as mulheres demonstram maior apoio à mudança: 77% se posicionam a favor do fim da escala 6x1, enquanto entre os homens o percentual é de 64%.

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