Após silenciar sobre a prisão de Crivella, Bolsonaro critica imprensa e MP-RJ, que também mira o clã presidencial
"Já vincularam a mim, porque eu apoiei o Crivella. Sim, apoiei. O MP-RJ é uma festa lá, nunca apuraram nada", disse Jair Bolsonaro ao comentar a prisão do seu aliado e prefeito do Rio. Também atacou a imprensa. Outro alvo de críticas dele, o Ministério Público denunciou Flávio Bolsonaro e o laranja do clã presidencial, Fabrício Queiroz, por corrupção
247 - Jair Bolsonaro quebrou o silêncio sobre a prisão do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), seu aliado, e aproveitou para criticar tanto a imprensa quanto o Ministério Público (MP-RJ), que denunciou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Fabrício Queiroz, ex-assessor do parlamentar. O chefe do Executivo municipal foi preso acusado de liderar uma organização criminosa que recebia dinheiro de forma ilegal de empresários. O arrecadado em propina chega a R$ 50 milhões, informou o MP-RJ.
"Prenderam o Crivella no Rio, não vou entrar no mérito, mas já vincularam a mim, porque eu apoiei o Crivella. Sim, apoiei. O MP do Rio é uma festa lá, nunca apuraram nada, mas politicamente sempre apuram alguma coisa", disse Bolsonaro, nesta quarta-feira (23), durante conversa com apoiadores em São Francisco do Sul (SC). Ele está de férias em Santa Catarina.
Em novo ataque à imprensa, Bolsonaro afirmou que estão "o tempo todo perseguindo quem está do meu lado, parente, amigo, reviraram minha vida de perna pro ar".
Prisão de Crivella e a "rachadinha" de Flávio Bolsonaro
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Humberto Martins, revogou na noite dessa terça-feira (22) a prisão do prefeito do Rio.
As investigações também apontaram ligações entre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Foi identificada uma circulação atípica de quase R$ 6 bilhões na instituição religiosa entre maio de 2018 e abril de 2019.
O senador Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo MP-RJ por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do que investiga um esquema de rachadinha que acontecia quando ele ocupava um mandato na Assembleia Legislativa do Rio.
Ex-assessor do parlamentar, Fabrício Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia (SP), onde estava escondido em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, então advogado de Flávio - depois ele deixou a defesa do parlamentar. Segundo o antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz movimentou R$ 7 milhões de 2014 a 2017.