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Área de soja deve crescer pouco na safra 2026/27

Custos elevados, fertilizantes caros e risco de El Niño limitam expansão da soja no Brasil, segundo avaliação da Argus

Grãos de soja (Foto: Dan Koeck/Reuters)

247 - A área plantada de soja no Brasil deve avançar na safra 2026/27, mas de forma moderada, em meio a margens pressionadas, alta dos fertilizantes e incertezas climáticas associadas ao El Niño. A reportagem é do Broadcast.

A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (6), em São Paulo, por Nathalia Giannetti, responsável pela precificação de grãos do Brasil na Argus. Segundo ela, a primeira projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) para Mato Grosso, que aponta crescimento inferior a 0,3%, indica uma tendência que pode se repetir em escala nacional.

Apesar dos obstáculos, a demanda por soja segue como fator de estímulo à ampliação da área cultivada. O consumo chinês e o processamento interno ligado ao biodiesel continuam sustentando o interesse dos produtores. Ainda assim, o ritmo de crescimento tende a ser menor que o observado em ciclos anteriores.

“A Argus ainda não trabalha com números concretos mas, com base no sentimento do mercado, vemos uma tendência de novamente haver crescimento de área, apesar de todas essas incertezas”, afirmou Giannetti.

O principal entrave está nas margens apertadas do produtor. Os preços da soja enfrentam pressão por causa do excesso de oferta, enquanto os fertilizantes seguem em patamares elevados. O impacto é mais forte na oleaginosa porque o cultivo depende principalmente de adubos fosfatados.

Segundo a análise da Argus, o mercado de fosfatados passa por dificuldades simultâneas. Há problemas logísticos na Arábia Saudita, queda de produção no Marrocos, suspensão das exportações pela China e forte alta no preço do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação desses insumos e exportada em grande parte pelo Oriente Médio.

“As notícias não são muito boas. Primeiro, porque as margens do produtor estão bastante apertadas”, disse Giannetti.

A alta dos fertilizantes piorou a relação de troca no Brasil, indicador que mostra quantas sacas de soja o produtor precisa comprometer para comprar 1 tonelada de adubo. A Argus acompanha esse índice há quase seis anos, e o cenário atual é o mais desfavorável ao produtor desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

Esse ambiente tem retardado as compras de insumos para a próxima safra. Até o fim de abril, os produtores haviam adquirido menos de 50% do volume planejado de fertilizantes para a safra 2026/27. No mesmo período do ano passado, esse percentual estava próximo de 60%.

O atraso preocupa porque os fertilizantes ainda precisam chegar aos portos brasileiros e ser transportados até as fazendas. Com o avanço do outono e a possibilidade de mais chuvas no Sul, o descarregamento nos portos também pode enfrentar dificuldades adicionais.

De acordo com Giannetti, o mercado já trabalha com a possibilidade de uma redução média de 15% nas entregas ao Brasil neste ano, principalmente em produtos fosfatados.

O clima é outro fator de risco para a safra. A executiva citou dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), segundo os quais há mais de 90% de chance de El Niño ativo na segunda metade do ano, período que coincide com o plantio da soja no Brasil.

O fenômeno climático costuma reduzir as chuvas no Centro-Oeste e aumentar as precipitações no Sul, justamente as duas principais regiões produtoras do país. O alerta é especialmente relevante para Mato Grosso, responsável sozinho por cerca de 30% da produção brasileira de soja.

“É muito provável que a gente veja uma redução das produtividades em Mato Grosso caso esse El Niño tenha força”, afirmou Giannetti.

A especialista ponderou que as projeções climáticas ainda podem mudar e que outros fenômenos também interferem no regime de chuvas. Ainda assim, com base no risco associado ao El Niño, há possibilidade concreta de perdas de produtividade caso o fenômeno se confirme com intensidade durante o plantio.

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