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Autoridade Palestina apoia possível adesão do Brasil ao Conselho da Paz, diz diplomata

De acordo com o embaixador Marwan Jebri, a presença de países considerados amigos dos palestinos no conselho é vista como fator relevante

Faixa de Gaza ao fundo, Lula e Marwan Jebril (Foto: Dawoud Abu Alkas/Reuters I Ricardo Stuckert/PR I Reprodução)

247 - A Autoridade Nacional Palestina avalia de forma positiva a possível participação do Brasil no Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, criado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A posição foi expressa pelo chefe da representação palestina em Brasília (DF), embaixador Marwan Jebril, durante entrevista à GloboNews.

De acordo com o diplomata, embora a decisão sobre integrar ou não o colegiado caiba exclusivamente ao governo brasileiro, a presença de países considerados amigos dos palestinos é vista como um fator relevante dentro da iniciativa liderada por Washington. O Brasil foi formalmente convidado, mas ainda não informou se pretende aceitar fazer parte do conselho lançado nesta quinta-feira (22).

“A decisão quem toma é o Brasil, se vai fazer parte ou não. Mas nós, sim, vemos com bons olhos que haja países amigos [presentes]. Não esqueçamos que Israel também está dentro deste conselho”, afirmou Marwan Jebril à GloboNews. Em seguida, acrescentou: “É bom que haja países amigos que defendam o direito dos palestinos à autodeterminação, à liberdade e que haja um Estado palestino”.

Expectativa de caráter temporário

De acordo com o embaixador, mesmo sem representação política direta dos palestinos no Conselho de Paz, a adesão de países aliados gera confiança de que o arranjo terá duração limitada. Ele citou nações como Egito, Catar, Arábia Saudita, Indonésia e Turquia como atores com os quais há coordenação diplomática.

“Coordenamos com eles para que este comitê seja transitório, com no máximo dois anos [de duração], e para que depois as competências da Faixa de Gaza sejam passadas ao governo palestino”, declarou Jebril.

Estrutura do Conselho de Paz

A proposta apresentada pelo governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê um plano com cerca de 20 pontos. Entre as diretrizes centrais está a criação de uma Faixa de Gaza livre de grupos armados, administrada por um governo de transição. Essa gestão seria exercida por um comitê palestino de perfil tecnocrático e sem filiação política, sob supervisão do conselho internacional.

O colegiado terá caráter consultivo e atuará como instância de assessoramento ao comitê responsável pela administração provisória do território. Essa gestão temporária teve início nesta semana no Cairo, capital do Egito, sob a coordenação do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath, acompanhado por outros 14 integrantes.

Cerca de 20 países já confirmaram participação na iniciativa, enquanto outros ainda analisam o convite. Entre os que não deram resposta definitiva estão Alemanha, Brasil, China, Croácia, Itália, Reino Unido, Rússia, Singapura e Ucrânia.

Membros fundadores anunciados

O governo dos Estados Unidos divulgou os nomes dos sete integrantes designados como membros fundadores do Conselho de Paz.

A lista inclui o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair; o enviado especial dos EUA para a Faixa de Gaza, Steve Witkoff; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; Jared Kushner, genro de Donald Trump; Robert Gabriel, assessor ligado ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA; e o financista Marc Rowan.

Contexto da guerra em Gaza

A atual escalada do conflito teve início em outubro de 2023, quando Israel lançou a chamada “Operação Espadas de Ferro” e impôs um bloqueio total à Faixa de Gaza. Desde então, mais de 70 mil palestinos morreram, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

O confronto foi precedido por um ataque sem precedentes contra Israel, com o disparo de foguetes a partir da Faixa de Gaza, então sob controle do Hamas. Militantes também cruzaram áreas fronteiriças, atacaram civis e militares e fizeram reféns. Aproximadamente 1.200 pessoas morreram, e mais de 250 foram levadas para Gaza, de acordo com autoridades israelenses.

Em dezembro de 2023, a África do Sul apresentou uma queixa contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), alegando violações à Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. O governo brasileiro manifestou apoio à iniciativa.

Em janeiro de 2024, a CIJ determinou que Israel adotasse medidas para prevenir atos de genocídio, punir incitações contra os palestinos e garantir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, sem, contudo, ordenar a suspensão da ofensiva militar.

Em novembro de 2024, a Corte emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e lideranças do Hamas, por supostos crimes de guerra, acusações negadas por ambas as partes.

O Brasil mantém a defesa de uma solução política negociada, baseada no respeito ao direito internacional e às decisões dos organismos multilaterais, como caminho para a estabilização do conflito e a reconstrução da Faixa de Gaza.

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