Lula conversa com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a situação em Gaza
Presidente brasileiro também conversou com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre o Conselho de Paz proposto pelos EUA para o território palestino
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve conversas telefônicas com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para tratar da situação humanitária e política na Faixa de Gaza, em função do genocídio perpetrado por Israel. As articulações ocorrem em meio à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da criação de um controverso Conselho de Paz para o território palestino.
Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, Lula manifestou a Mahmoud Abbas satisfação com o cessar-fogo em Gaza e reiterou o compromisso do Brasil com a busca de uma solução pacífica e negociada para o conflito no Oriente Médio. O presidente brasileiro também foi convidado por Donald Trump a integrar o chamado Conselho de Paz, iniciativa que vem sendo debatida entre governos e organismos internacionais.
Durante as conversas, Lula voltou a destacar a posição histórica do Brasil em defesa do diálogo, do respeito ao direito internacional e da proteção da população civil afetada pelo conflito. O tema também foi abordado em diálogo com Recep Tayyip Erdogan, com quem Lula discutiu os impactos humanitários da guerra e a necessidade de ações coordenadas da comunidade internacional.
Proposta do Conselho de Paz
O Conselho de Paz proposto pelo governo do atual presidente dos Estados Unidos prevê um plano com cerca de 20 pontos. Entre as diretrizes, está a transformação da Faixa de Gaza em uma zona livre de grupos armados, sob a administração de um governo de transição. Esse governo seria formado por um comitê palestino tecnocrático e sem filiação política, supervisionado pelo conselho internacional.
De acordo com as informações disponíveis, o conselho terá caráter consultivo e a função de assessorar o comitê responsável pela administração provisória de Gaza. Essa gestão temporária teve início nesta semana no Cairo, capital do Egito, e está sob a coordenação do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath, acompanhado por outros 14 integrantes.
Cerca de 20 países já aceitaram participar da iniciativa, enquanto outros ainda avaliam o convite. Entre os países que ainda não confirmaram oficialmente a adesão estão Alemanha, Brasil, China, Croácia, Itália, Reino Unido, Rússia, Singapura e Ucrânia.
Composição inicial do conselho
O governo dos Estados Unidos divulgou os nomes dos sete integrantes indicados como membros fundadores do Conselho de Paz.
A lista inclui o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair; o enviado especial dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza, Steve Witkoff; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; Jared Kushner, genro de Donald Trump; Robert Gabriel, assessor ligado ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA; e o financista Marc Rowan.
Contexto do conflito em Gaza
A atual crise na Faixa de Gaza teve início em outubro de 2023, quando Israel lançou a chamada “Operação Espadas de Ferro” e impôs um bloqueio total ao território. Desde então, mais de 70 mil palestinos morreram, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.
O conflito se intensificou após um ataque sem precedentes contra Israel, com o lançamento de foguetes a partir da Faixa de Gaza, então governada pelo Hamas. Militantes palestinos também atravessaram áreas fronteiriças, atacaram militares e civis e fizeram reféns. Cerca de 1.200 pessoas morreram durante a ofensiva, e mais de 250 foram capturadas e levadas para Gaza, segundo autoridades israelenses.
Em dezembro de 2023, a África do Sul apresentou uma queixa contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando o país de violar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. O governo brasileiro declarou apoio à iniciativa sul-africana.
Em janeiro de 2024, a CIJ determinou que Israel adotasse todas as medidas necessárias para prevenir atos de genocídio, punir incitações contra os palestinos e assegurar a entrada de ajuda humanitária em Gaza, embora não tenha ordenado a suspensão da ofensiva militar.
Em novembro de 2024, a Corte emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e lideranças do Hamas, por supostos crimes de guerra. Tanto Israel quanto o Hamas negam as acusações.
O Brasil mantém a defesa de uma solução política negociada e do respeito às decisões dos organismos internacionais como caminho para a estabilização do conflito e a reconstrução da Faixa de Gaza.


