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França rejeita Conselho de Trump para Gaza

Enquanto isso, Otan pressiona o presidente francês, Emmanuel Macron, por sua retórica contra os EUA

Emmanuel Macron em Davos, na Suíça - 20/01/2026 (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - A França considera as Nações Unidas a organização legítima para a promoção da paz e avalia que a criação de uma entidade alternativa, como o Conselho de Paz, não é a abordagem adequada para resolver a situação em Gaza, afirmou nesta quinta-feira (22) o ministro das Finanças francês, Roland Lescure.

Na terça-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que, caso a França não aceitasse seu convite para integrar o Conselho de Paz, imporia tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, o que, segundo ele, levaria o presidente francês Emmanuel Macron a concordar. A Presidência da França classificou as ameaças como inaceitáveis. Já a ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, descreveu a atitude como “chantagem”.

“Nós acreditamos que as Nações Unidas são o conselho de paz e que criar uma alternativa não é a maneira correta de resolver a situação em Gaza”, afirmou Lescure, segundo a emissora RTL.

Em 16 de janeiro, Trump anunciou a criação do Conselho de Paz, que inclui o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o vice-assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Robert Gabriel. O presidente dos EUA também convidou líderes de vários países, entre eles Rússia e Belarus, a integrar a iniciativa.

Tensão com Trump

Autoridades da Otan criticaram o presidente francês e sua retórica da “bazuca” durante uma reunião em Davos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de conquistar sua simpatia, informou o jornal The Telegraph, citando fontes.

Na terça-feira, Macron afirmou que a União Europeia dispõe de instrumentos comerciais “muito fortes” para reagir a novas tarifas dos EUA, mencionando a chamada “ferramenta anticoerção” do bloco, também conhecida como “bazuca comercial”.

Segundo o Telegraph, a discussão sobre o plano para a Groenlândia está ligada a esforços para fechar um acordo que agrade a Trump.

Na quarta-feira, Trump declarou em Davos que não consegue imaginar os Estados Unidos entrando em guerra com a Dinamarca, aliada da Otan, por causa da Groenlândia. Ele afirmou ainda que está em discussão um acordo de longo prazo sobre a Groenlândia, que deverá durar “para sempre”.

Trump tem afirmado repetidamente que os Estados Unidos deveriam controlar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, citando a importância estratégica da ilha para a segurança nacional. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas advertiram Washington contra qualquer tentativa de tomar o território, ressaltando que esperam que sua integridade territorial seja respeitada. (Com informações da Sputnik). 

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