Brasil abriga cerca de 2 milhões de imigrantes e refugiados, aponta relatório
O levantamento reúne dados demográficos, de empregabilidade e de distribuição territorial dessa população no território brasileiro
247 - O Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de imigrantes, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de cerca de 200 nacionalidades. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). As informações são do jornal O Globo.
O levantamento reúne dados demográficos, de empregabilidade e de distribuição territorial dessa população no país. O estudo também avalia a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), com participação de seis ministérios e instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Universidade de Brasília (UnB).
Migrantes no mercado de trabalho formal
O relatório aponta que cerca de 414 mil migrantes estão empregados formalmente no Brasil. A principal região de destino para o trabalho formal é o Sul, que concentra 56,2% desses trabalhadores, especialmente no setor agroindustrial. Entre os estados da região, o Paraná se destaca na oferta de capacitação profissional e na revalidação de diplomas, segundo o estudo.
As cidades de São Paulo (SP) e Campo Grande (MS) aparecem como referências na estrutura de acolhimento, com maior presença de abrigos, conselhos e ações voltadas à população migrante e refugiada.
O relatório também indica fragilidades na estrutura de atendimento. Menos de 5% dos municípios brasileiros possuem acordos formais para acolhimento de migrantes, e apenas 1,4% oferecem serviços em outros idiomas. Na educação, o número de matrículas de estudantes migrantes na rede básica cresceu 437% entre 2010 e 2024, com 62,4% concentrados no ensino fundamental.
O que dizem as autoridades
A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, afirmou: "Este é um momento em que o Brasil reúne dados e capacidade operacional para demonstrar que é possível promover uma migração responsável, acolhedora e geradora de benefícios sociais e produtivos."
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também avaliou o cenário: "A política migratória precisa ser compreendida como vetor de trabalho, desenvolvimento e proteção social. Trata-se de pessoas que buscam oportunidades, dignidade e melhores condições de vida para si e suas famílias."
Perfil dos fluxos migratórios
O estudo destaca mudanças nos fluxos migratórios no país, com presença relevante de venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. Entre os venezuelanos, o relatório aponta possível pressão sobre Roraima e demanda por assistência a mulheres, crianças e idosos.
No caso dos haitianos, há tendência de estabilização e foco na reunificação familiar. Já a imigração cubana se concentra em Roraima, Amapá e regiões do Sul e Sudeste, enquanto os angolanos ampliaram a chegada desde 2021, com predominância de homens em idade ativa e também crianças.
O relatório foi divulgado às vésperas da participação do Brasil no Fórum Internacional de Revisão das Migrações, que será realizado entre 5 e 8 de maio, em Nova Iorque, onde o país apresentará avanços na governança migratória e práticas de acolhimento após a retomada do Pacto Global em 2023.


