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Cade mantém multa contra Meta por chatbots no WhatsApp

Órgão vê indícios de abuso de posição dominante no uso de chatbots de inteligência artificial

Cade mantém multa contra Meta por chatbots no WhatsApp (Foto: Agência Brasil )

247 - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu manter a multa diária de R$ 250 mil contra a Meta no processo que investiga o uso de chatbots de inteligência artificial no WhatsApp. A decisão unânime reforça o entendimento de que há indícios de abuso de posição dominante no mercado de mensageria, com possíveis impactos sobre a concorrência no setor de IA.

A medida foi confirmada pelo plenário do órgão, que rejeitou o recurso apresentado pela empresa e manteve integralmente o auto de infração aplicado pela Superintendência-Geral (SG). A decisão ocorre no âmbito de um inquérito administrativo que apura práticas potencialmente anticoncorrenciais envolvendo a plataforma.

Investigação envolve denúncia de concorrentes

O caso teve início após denúncia apresentada em setembro de 2025 pelas empresas Luzia e Zapia, que atuam no segmento de chatbots. As companhias alegaram que a Meta estaria adotando práticas para favorecer sua própria solução de inteligência artificial, a Meta AI, em detrimento de concorrentes.

Em janeiro deste ano, a SG do Cade instaurou o inquérito e determinou uma medida preventiva para evitar possíveis distorções no mercado. Em março, no entanto, o órgão identificou indícios de descumprimento dessa determinação.

Alterações no WhatsApp Business estão no centro da disputa

A análise da Superintendência-Geral aponta que a Meta promoveu mudanças nos termos do WhatsApp Business que poderiam gerar efeitos de exclusão de rivais. Entre os pontos questionados está a cobrança pelo uso da API da plataforma para chatbots de inteligência artificial.

O relator do caso, conselheiro Carlos Jacques, avaliou que essas alterações podem configurar uma forma de recusa de contratação e dificultar a atuação de outras empresas no setor.

“Dessa forma, a alteração dos termos de uso e, principalmente, a imposição de tarifas para o uso da API do WhatsApp Business para chatbots de IA, seria uma forma de recusa de contratação e de descumprimento da medida preventiva imposta”, declarou.

Segundo ele, os termos atuais não atendem à exigência de retorno às condições anteriores determinadas pelo Cade.

Meta contesta interpretação do Cade

A defesa da empresa argumentou que não houve violação da medida preventiva e que a política de preços adotada é compatível com o mercado. A advogada Marcela Mattiuzzo afirmou que a discussão sobre a precificação deveria ocorrer no âmbito do inquérito.

“O Facebook Brasil e o WhatsApp de forma alguma contestam a obrigação de cumprir com a preventiva. O que se contesta é a caracterização feita pela SG de que a precificação é uma violação dessa medida”, disse.

Ela também defendeu a racionalidade econômica da cobrança. “Trata-se de um preço economicamente racional, comercialmente justificado, consistente com modelos de negócio que foi colocado para API, e com que outras empresas que fazem uso da API efetivamente pagam pelo serviço”, afirmou.

Cade aponta tendência internacional e mantém sanção

Ao votar pela manutenção da multa, o relator destacou que há uma convergência internacional na avaliação de práticas semelhantes envolvendo a Meta. Segundo ele, autoridades de outras jurisdições também investigam possíveis efeitos de exclusão de concorrentes no mercado de inteligência artificial.

Carlos Jacques afirmou que a cobrança pelo acesso à API pode elevar barreiras à entrada. “Dessa forma, no caso brasileiro, há uma desnaturalização do espírito da preventiva confirmada pelo tribunal. Seu descumprimento pelas autuadas, portanto, é evidente”, pontuou.

Além de manter a multa diária, o Cade recomendou a ampliação da cooperação internacional para troca de informações com outros órgãos reguladores.

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