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Cláudio Castro estava em “alinhamento político” com Vorcaro, diz PF

Investigação da PF enviada ao STF indica que encontros entre Castro e Vorcaro antecederam aportes de R$ 3,6 bilhões no Master

Claudio Castro (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)
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247 - A Polícia Federal identificou indícios de um suposto alinhamento político entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que teria sido determinante para a liberação de investimentos bilionários do RioPrevidência na instituição financeira. As informações constam em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e revelado inicialmente pelo G1.

A apuração faz parte da 8ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada nesta terça-feira (26) pelo ministro André Mendonça, do STF. Segundo a PF, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que decisões sobre aplicações do fundo previdenciário dos servidores estaduais dependiam diretamente da relação política mantida com o governador.

Os investigadores afirmam ter identificado um “sincronismo” entre encontros realizados por Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e a liberação dos aportes financeiros feitos pelo RioPrevidência logo em seguida. De acordo com a Polícia Federal, a relação entre os dois extrapolava contatos institucionais.

O relatório aponta que o banqueiro teria organizado e custeado viagens, eventos e encontros privados com Castro, inclusive no exterior. Para a PF, a coincidência temporal entre essas reuniões e os investimentos realizados pelo fundo estadual reforça a suspeita de interferência política indevida na destinação dos recursos públicos.

Na decisão que autorizou a nova etapa da operação, o ministro André Mendonça destacou que os elementos reunidos pela investigação apontam para possíveis irregularidades nas negociações.

“A relação de Daniel Vorcaro e Cláudio Castro trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000,00 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras”, afirmou Mendonça.

A Polícia Federal também aponta que houve mudanças estratégicas na estrutura de comando do RioPrevidência pouco antes do início das aplicações financeiras no Banco Master. Segundo os investigadores, pessoas foram nomeadas para cargos considerados centrais, como presidência, diretoria de investimentos e gerência de investimentos.

De acordo com o relatório encaminhado ao STF, essas alterações teriam facilitado decisões em desacordo com normas regulatórias e interesses técnicos do fundo previdenciário.

Os investigadores sustentam ainda que as aplicações continuaram mesmo após alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos contrários às operações.

“Os indícios apontam, ainda, para a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis”, diz trecho do documento da PF.

A investigação também afirma que etapas técnicas do processo decisório teriam sido ignoradas e que faltaram justificativas formais consideradas adequadas para sustentar os investimentos. Segundo a PF, isso permitiu a continuidade de operações classificadas pelos investigadores como “temerárias e desprovidas de justificativa técnica”.

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