CNI usa “terrorismo econômico” ao criticar fim da escala 6x1, afirma Boulos
Ministro diz que governo encerrará jornada 6x1 e defende mais produtividade e justiça social
247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, acusou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) de promover “terrorismo econômico” ao criticar o fim da escala de trabalho 6x1.
Segundo Boulos, a entidade estaria tentando barrar a redução da jornada, ao afirmar que a mudança provocaria aumento de preços e prejuízos à população.
Em postagem nas redes sociais, Boulos sustenta que esse tipo de ameaça se repete sempre que avanços trabalhistas entram em debate no país.
“O presidente da CNI resolveu em entrevista hoje apostar no terrorismo econômico contra o fim da Escala 6X1. Disse que, se reduzirmos a escala, o povo é que vai pagar com aumento de preços. É a mesma ameaça que os privilegiados fazem há quase 100 anos contra direitos trabalhistas”, disse Boulos.
O minsitro compara o discurso atual com resistências históricas a conquistas como o salário mínimo, o 13º salário e as férias remuneradas. Para ele, o padrão de argumentação se mantém sempre que direitos sociais são ampliados.
“Foi assim com o salário mínimo, com o décimo terceiro, férias remuneradas, etc. Nós vamos acabar com a 6X1 e o Brasil seguirá crescendo! E melhor: crescendo com descanso para o trabalhador, mais produtividade e justiça social”, acrescentou.
O governo Lula articula a aprovação do fim da escala 6x1 (modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos para folgar apenas um). A proposta tem ganhado força entre movimentos sindicais, parlamentares e setores do governo. Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, a saúde mental e a produtividade dos trabalhadores, sem necessariamente provocar os impactos econômicos negativos apontados por representantes do empresariado.
Em entrevista à Folha de S.Paulo neste sábado (24), o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou ser, pessoalmente, favorável à redução da jornada de trabalho, mas avaliou que o Brasil não teria condições econômicas de adotar o fim da escala 6x1 neste momento.
Segundo Alban, os custos adicionais para o setor produtivo seriam inevitavelmente repassados aos consumidores. Ele também informou que a CNI prepara um estudo para demonstrar os impactos econômicos da medida.
“Eu, particularmente, entendo que a evolução da relação capital-trabalho, da sociedade, do bem-estar é irmos para 5 por 2. Nós não temos condições. Quem vai pagar a conta sabe quem é? É o consumidor de novo. Esse custo vai ser repassado”, declarou Alban.


