Boulos: “Fim da escala 6x1 melhora a produtividade do trabalho”
Ministro diz que proposta do governo prevê jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e destaca avanços no diálogo com o Congresso
247 - O debate sobre a revisão da escala de trabalho 6x1, que garante apenas um dia de descanso semanal, ganhou novo impulso no governo federal. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (21), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a proposta em construção prevê mudanças profundas na jornada de trabalho no Brasil, com impacto direto na qualidade de vida dos trabalhadores e também na produtividade da economia.
Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, Boulos destacou que a proposta defendida pelo presidente Lula e pelo governo estabelece uma jornada máxima de cinco dias de trabalho por dois de descanso, com carga semanal de até 40 horas. “A proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, de 5x2, 40 horas semanais. Hoje o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário”, afirmou.
Segundo o ministro, o diálogo com o Congresso Nacional tem avançado de forma positiva. Ele relatou encontros recentes com lideranças parlamentares e representantes da área trabalhista. “Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6x1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse.
Boulos também rebateu críticas de que a redução da jornada poderia afetar negativamente a produtividade. Para sustentar sua posição, citou experiências internacionais e dados concretos. “A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4x3 e a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos 3 anos e isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da produtividade. Se você pegar o Japão, no caso da Microsoft do Japão, a 4x3 aumentou em 40% a produtividade individual do trabalhador”, exemplificou.
No cenário brasileiro, o ministro citou um estudo recente da Fundação Getulio Vargas que analisou empresas que optaram por reduzir a jornada de trabalho. “No Brasil, houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Sabe qual foi o resultado? Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo. E várias empresas, individualmente, já estão reduzindo”, relatou.
Além dos dados econômicos, Boulos enfatizou os impactos sociais da escala 6x1, que, segundo ele, provoca desgaste físico e emocional e compromete o convívio familiar. “O debate que temos que fazer é o seguinte: uma coisa é você trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Só bilionário herdeiro que não. Todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos”, afirmou.
Na avaliação do ministro, jornadas mais equilibradas permitem inclusive o aprimoramento profissional dos trabalhadores. “Para fazer, inclusive, um curso de profissionalização, de qualificação, que vai aumentar a sua produtividade como trabalhador”, acrescentou. Ele reforçou ainda a relação direta entre descanso e desempenho. “Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor”, disse.
Encerrando sua argumentação, Boulos sustentou que a defesa do fim da escala 6x1 está baseada em evidências concretas. “Então, por todas essas razões, o que a gente sustenta, baseado em dados e não em blá blá blá, é que o fim da escala 6x1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil, como aconteceu em outros lugares”, concluiu.


