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Boulos pede regulação da IA e faz alerta sobre eleições

Ministro diz que deepfakes e conteúdos falsos transformaram disputas eleitorais em um jogo de desinformação e afirma que governo manterá tema na agenda

Guilherme Boulos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, avaliou que o avanço da inteligência artificial mudou de forma negativa a dinâmica das eleições no Brasil, ampliando a disseminação de conteúdos falsos e ataques baseados em desinformação. Segundo ele, o processo eleitoral passou a ser marcado por práticas que comprometem o debate público e exigem uma resposta institucional do Estado.

A declaração foi dada em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro nesta quarta-feira (21). Na ocasião, Boulos afirmou que “a eleição virou um jogo pesado no Brasil” e criticou o uso de tecnologias como deepfakes para manipular a opinião pública. “Uma coisa é fazer debate político, agora, eleição virou — depois dessa sujeira toda da extrema direita — um jogo de mentira, usando a IA, deepfake, todo tipo de instrumento”, disse o ministro.

Boulos também ressaltou que o governo federal mantém, entre suas prioridades, a discussão sobre a regulamentação das empresas de tecnologia responsáveis pela circulação desses conteúdos. De acordo com ele, a falta de avanço no Congresso não retirou o tema da pauta. “Por isso o tema de a gente garantir que as big techs se responsabilizem por esses conteúdos é um tema que continua na agenda do governo, nós não tivemos força para passar com esse Congresso, mas nós não vamos tirar isso da agenda, porque é uma questão civilizatória no Brasil”, afirmou.

Para ilustrar os riscos da desinformação nas disputas eleitorais, o ministro relembrou um episódio ocorrido durante as eleições municipais de 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo. Naquele período, um de seus adversários, o empresário Pablo Marçal (PRTB), divulgou um suposto laudo médico que associava Boulos ao uso de cocaína.

Posteriormente, peritos da Polícia Federal apontaram fortes evidências de falsificação da assinatura presente no documento. Durante um debate eleitoral, Boulos chegou a apresentar um exame toxicológico com resultado negativo para detecção de cocaína, reforçando a denúncia de que se tratava de um conteúdo falso utilizado para atacá-lo politicamente.

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