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Criança é internada após contato com detergente da Ypê

Menor está no Hospital Infantil Varela Santiago, e caso é apurado pela vigilância epidemiológica

Detergente Ypê (Foto: Divulgação)
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247 - Uma criança foi internada em Natal, no Rio Grande do Norte, sob suspeita de contaminação após entrar em contato com um detergente da Ypê. Segundo a CNN Brasil, a família apresentou na unidade de saúde o frasco de um produto com lote de numeração final 1, grupo que está no centro de medidas sanitárias adotadas pela Anvisa.

O caso é investigado pela vigilância epidemiológica. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, a criança foi inicialmente atendida na UPA Pajuçara e depois transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago, onde recebe tratamento especializado.

A família relatou que a menor entrou em contato com o produto no dia 6 de maio. No mesmo dia, na escola, ela apresentou manchas atrás da orelha e em uma das mãos, o que levou os responsáveis a procurarem atendimento médico.

Um parente da criança afirmou que a associação com o produto foi feita depois da divulgação de alertas sobre possível contaminação em itens da marca. “Como tinha saído uma nota de possível bactéria no sabão da Ypê, associamos uma coisa com a outra”, disse.

O familiar ressaltou, no entanto, que ainda não afirma que a contaminação tenha sido provocada pelo detergente da empresa e que a família aguarda a conclusão dos exames médicos. “Aparentemente ela está bem, mas a intoxicação está aparecendo o tempo todo. Estamos esperando sair o laudo, mas a bactéria já foi confirmada”, completou.

A Anvisa determinou, na semana passada, o recolhimento de produtos da Ypê com lotes de numeração final 1 nas categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes. A agência também suspendeu a fabricação, comercialização, distribuição e venda desses itens.

A decisão foi tomada após uma inspeção identificar irregularidades em etapas consideradas críticas da produção. Segundo a Anvisa, as falhas poderiam levar à contaminação microbiológica dos produtos.

A inspeção foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo. De acordo com a agência, foram detectadas 76 irregularidades na empresa.

As falhas apontadas incluem problemas nos sistemas de controle de qualidade e de garantia sanitária. Para a Anvisa, os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação.

A Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução da agência na sexta-feira (8). Com isso, a decisão passou a ter efeito suspensivo até análise da Diretoria Colegiada da Anvisa.

Mesmo após a suspensão temporária da medida, a empresa informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos responsáveis pelos produtos envolvidos no caso.

Na quarta-feira (13), a Diretoria Colegiada da Anvisa retirou de pauta o julgamento do recurso apresentado pela Ypê. Segundo Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da agência, a deliberação deveria ser retomada pelo colegiado na sexta-feira (15).

“A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidadas para correção dessas ações nesta quinta-feira (14), com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias [...] Assim, reiteramos [aos consumidores] a não utilização dos produtos listados na resolução e de buscar o serviço de atendimento ao consumidor da empresa”, afirmou Safatle.

A Anvisa orienta consumidores que tenham produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa para receber orientações sobre recolhimento ou substituição dos itens.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte informou que a fiscalização dos produtos com suspeita de contaminação em Natal cabe à Vigilância Sanitária Municipal. Nos demais municípios, a responsabilidade fica sob a Suvisa.

A Suvisa informou que, até quarta-feira (13), não havia sido realizada apreensão de produtos do lote informado pela Anvisa.

A Ypê informou que ainda não se posicionaria especificamente sobre a ocorrência. Em manifestação anterior à emissora, a empresa afirmou que segue em “colaboração máxima” com a Anvisa e que apresentou atualização de seu plano de ação relacionado ao processo fabril.

“A Ypê informa que está em colaboração máxima com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na busca por uma solução definitiva para a situação envolvendo a suspensão da venda, comercialização e uso dos seus lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, conforme dispõe a RE 1.834/2026”, declarou a empresa.

A companhia disse ainda que representantes se reuniram com a agência e apresentaram informações sobre a evolução do processo fabril. “Como parte desse processo, representantes da Ypê se reuniram com a agência ontem (terça-feira, 12/5) e apresentaram uma atualização do plano de ação com a evolução do seu processo fabril, reafirmando sua observância integral às recomendações pontuadas pela Anvisa. A empresa está apresentando informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia com verificações realizadas nos processos, bem como a análise de risco para o consumidor. Por essa razão, a Ypê solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a RE 1.834/2026, até que seja concluída a apresentação da documentação ao órgão regulador”, afirmou.

A Ypê também declarou manter compromisso com a segurança dos consumidores. “A Ypê, uma empresa 100% brasileira com 75 anos de história, reitera seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores, reforça que tem mantido diálogo contínuo, técnico e colaborativo com a Anvisa.”

A investigação sobre a internação da criança segue em andamento, enquanto autoridades sanitárias acompanham a situação dos lotes afetados e a análise do recurso apresentado pela empresa.