Crise no STF eleva temor de ministros sobre questionamentos da legitimidade de julgamentos
Ministros temem que desconfiança contamine decisões sobre os atos golpistas do 8 de janeiro, emendas parlamentares e outros processos
247 - Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, nos bastidores, que a Corte precisa se afastar do centro da crise institucional que se intensificou nas últimas semanas. No entanto, integrantes do tribunal reconhecem que o STF tem sido sucessivamente recolocado no foco das controvérsias, o que amplia o risco de desgaste e pode afetar a percepção pública sobre julgamentos de grande impacto político.
Segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, no G1, ministros ouvidos sob reserva temem que decisões relevantes, tanto as que ainda serão tomadas quanto as já concluídas, passem a ser colocadas sob suspeita, em um ambiente de crescente desconfiança institucional.
Temor de desgaste institucional
De acordo com a avaliação interna, o agravamento da crise pode provocar questionamentos que vão além do campo jurídico, atingindo diretamente a legitimidade institucional das decisões do Supremo. O receio é que a Corte enfrente uma escalada de ataques e desconfiança, comprometendo a credibilidade de julgamentos considerados estratégicos para o país.
Entre os ministros, há a percepção de que o STF tenta reduzir sua exposição pública, mas novos episódios acabaram arrastando o tribunal novamente para o centro do debate político e institucional.
Julgamentos do 8/1 e emendas entram no radar
Entre os processos que preocupam integrantes da Corte estão os julgamentos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro, além do caso das emendas parlamentares. A preocupação é que decisões ligadas a esses temas, assim como outros processos de grande repercussão, sejam questionadas em sua legitimidade, mesmo após o encerramento formal de análises e votações.
A avaliação de ministros é de que o cenário atual pode criar um ambiente em que decisões do STF sejam contestadas não apenas nos tribunais, mas também na arena política e na opinião pública.
Operação da PF e quebra de sigilo bancário
Ministros ressaltam que, do ponto de vista jurídico, não existe divergência quanto à gravidade de uma eventual quebra ilegal de sigilo bancário de investigados em uma operação que apura o vazamento de dados de ministros do STF e de seus familiares. Se confirmada, a prática é considerada crime e deve ser investigada.
O ministro Alexandre de Moraes decretou a quebra de sigilo bancário dos investigados. Na terça-feira (17), a Polícia Federal (PF) cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, que tiveram como alvo servidores públicos em três estados.
Inquérito das fake news volta a alimentar críticas internas
Apesar do entendimento sobre a gravidade das suspeitas, ministros reconhecem que o contexto da investigação e o uso de instrumentos como o inquérito das fake news, aberto há anos e alvo de críticas recorrentes, acabam alimentando uma nova rodada de questionamentos.
Segundo relatos reservados, existe preocupação de que se fortaleça a percepção de que o Supremo estaria utilizando mecanismos próprios para lidar com questões que envolvem seus integrantes, o que poderia ser interpretado como atuação em causa própria.
Risco de narrativa de confronto com outros órgãos
Outro ponto observado nos bastidores é o diagnóstico de que a crise pode se ampliar e consolidar uma narrativa de confronto entre o STF e outros órgãos do Estado. Ministros avaliam que essa leitura poderia envolver instituições como a Receita Federal e até mesmo a Polícia Federal, aprofundando o desgaste institucional e aumentando a tensão entre Poderes.


