Defesa de empresária próxima a Fábio Luís diz ao STF que PF errou em relatório sobre pagamentos
Advogados de Roberta Luchsinger afirmam que pagamentos feitos por lobista não coincidem e nega transferência ao filho do presidente Lula
247 - A defesa da empresária Roberta Luchsinger, investigada em um inquérito sobre supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contestou no Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório da Polícia Federal (PF) que levanta suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o G1, os advogados encaminharam uma petição ao ministro André Mendonça, relator do caso, sustentando que o documento da PF apresenta inconsistências, especialmente na análise da cronologia dos pagamentos de despesas de viagem envolvendo Fábio Luís e a empresária, o que comprometeria as conclusões da investigação.
Defesa questiona cronologia dos pagamentos
De acordo com os advogados, Roberta Luchsinger realizou pagamentos de R$ 641 mil a uma agência de viagens entre dezembro de 2023 e junho de 2024. Já os valores recebidos de uma empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teriam ocorrido apenas depois, com o primeiro repasse registrado em novembro de 2024.
Para a defesa, essa sequência demonstra que não há relação direta entre os pagamentos e recebimentos, o que inviabilizaria a hipótese de repasses indiretos ao filho do presidente. Os advogados afirmam que o relatório partiu de uma “premissa falsa” e classificam a interpretação como uma “tentativa enviesada, ilegal e frustrada de incriminar uma pessoa inocente”.
A argumentação apresentada ao STF se baseia em documentos da própria investigação, incluindo um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Pagamentos e suspeitas na investigação
A investigação avançou após uma operação de busca e apreensão realizada em dezembro de 2025. Na ocasião, a Polícia Federal identificou cinco transferências de R$ 300 mil feitas por uma empresa ligada ao “Careca do INSS” para uma empresa da empresária, totalizando R$ 1,5 milhão.
A suspeita envolvendo Fábio Luís surgiu a partir do depoimento de um ex-funcionário do lobista, que relatou à PF que ele mencionava o pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente. Segundo esse relato, os valores estariam associados a tentativas de viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Apesar disso, não houve formalização de contrato para fornecimento dos produtos ao governo federal.
O advogado Bruno Salles, responsável pela defesa de Roberta Luchsinger, afirma que os valores recebidos correspondem a serviços efetivamente prestados na área de comercialização e regulação de produtos de cannabis medicinal. Ele também sustenta que não houve qualquer transferência de recursos para Fábio Luís.
PF diz que investigação segue em andamento
Procurada para comentar as alegações da defesa, a Polícia Federal informou que não se manifesta sobre investigações em curso. Em nota, o órgão destacou que o trabalho segue critérios técnicos e respeito ao devido processo legal.
“A Polícia Federal ressalta que os trabalhos estão sendo conduzidos com rigor técnico, imparcialidade e observância ao devido processo legal, e serão concluídos após a análise integral de todas as provas reunidas”, afirmou a instituição.


