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Deputado do PL no Ceará diz que Michelle “toparia fazer aliança com Ciro”

Ex-primeira-dama criticou articulação do PL com Ciro Gomes no Ceará em recente vídeo

Deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) (Foto: ALECE)
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247 - O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) afirmou que Michelle Bolsonaro havia aceitado, em abril, uma aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, antes de gravar um vídeo criticando a aproximação da sigla com o ex-governador. A declaração foi publicada pelo UOL, em reportagem de Ana Paula Bimbati, neste sábado (27).

Pivô do embate no PL cearense, Alcides classificou como “infeliz” a gravação feita pela ex-primeira-dama, na qual ela critica a articulação local da legenda com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo pelo PSDB. Segundo o deputado, Michelle já havia sinalizado concordância com a composição em reunião realizada em 14 de abril.

“Política exige maturidade para lavar roupa suja em casa e cumprir acordos publicamente”, afirmou Alcides, que é pai de André Fernandes, presidente do PL no Ceará e também alvo das críticas de Michelle no vídeo. O deputado disse ter se surpreendido com a manifestação pública da ex-primeira-dama.

“Me surpreendeu você dizer publicamente que não negocia valores e princípios, criticando nossa aliança com o Ciro, mas no dia 14 de abril, em uma reunião fechada entre você, Altineu [Côrtes], André e Valdemar [da Costa Neto], na sua sala, você disse que toparia fazer aliança com Ciro”, declarou Alcides.

No vídeo divulgado nesta semana, Michelle questionou a possibilidade de Priscila Costa ser lançada candidata ao Senado. Para Alcides, a fala da ex-primeira-dama expôs uma disputa interna e atingiu diretamente a estratégia eleitoral do PL no Ceará.

“Os valores são mesmo inegociáveis? Ou todo esse estardalhaço contra nós, e esse enorme prejuízo na campanha do Flávio Bolsonaro, foi apenas uma tentativa de criar um caos para impor uma vontade particular sua?”, disse o deputado.

Alcides é pré-candidato ao Senado e defende a aliança do PL com Ciro Gomes. O apoio ao ex-governador foi o ponto central da crise que levou Michelle a gravar o vídeo em que afirma que Flávio Bolsonaro (PL) a maltratou durante uma ligação telefônica. A ex-primeira-dama também defende que a candidata ao Senado no Ceará seja Priscila Costa, atual vice-presidente do PL Mulher.

O deputado afirmou ainda que Michelle não conhece suficientemente a realidade política do Ceará. Segundo ele, o vídeo da ex-primeira-dama “tenta descredibilizar todo esforço realizado nos últimos anos” para tirar o PT do poder no estado.

“Infelizmente, a direita sozinha ainda não possui a força necessária para derrotar o PT. Seria um sonho, mas a realidade é outra”, afirmou Alcides.

O parlamentar também citou reuniões realizadas por integrantes do PL do Ceará com Jair Bolsonaro. De acordo com Alcides, em um desses encontros, ocorrido no ano passado, antes da prisão do ex-presidente, foi discutido que o apoio a Ciro não representava “traição de valores”, mas uma estratégia eleitoral diante do quadro político estadual.

Segundo Alcides, a orientação no momento seria priorizar a derrota do que chamou de adversário principal. “Ter a grandeza de entender que, no momento de guerra, a nossa prioridade é derrotar o mal maior”, afirmou. Em outra conversa, conforme o deputado, Bolsonaro teria dito que Alcides seria o candidato ao Senado.

O UOL informou que procurou Michelle Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e o deputado Altineu Côrtes. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

No vídeo, Michelle disse que foi desrespeitada por Flávio Bolsonaro em uma ligação telefônica após criticar a aliança do PL cearense com Ciro. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone”, afirmou.

A ex-primeira-dama também disse não compreender a postura de Flávio e de aliados próximos a ele. “Para ele [Flávio] e alguns que o cercam, eu não entendo de política”, declarou. “Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso. Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa.”

A crise foi aberta durante a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, após a divulgação do áudio do senador para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo dinheiro para o filme de Bolsonaro. O senador vinha trabalhando para atrair votos de mulheres e evangélicos, setores nos quais Michelle é considerada uma figura importante da direita.

“Sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. [...] Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, afirmou Michelle Bolsonaro.

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