HOME > Brasil

“Família Bolsonaro vive tragédia shakespeiana”, diz Miguel Paiva

Cartunista analisou no Giro das Onze o vídeo de Michelle Bolsonaro contra Flávio e disse que crise expõe disputa de poder no bolsonarismo

“Família Bolsonaro vive tragédia shakespeiana”, diz Miguel Paiva (Foto: Reprodução | Agência Senado )
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O cartunista Miguel Paiva afirmou, em participação no Giro das Onze, da TV 247, nesta sexta-feira (26), que a crise aberta pelo vídeo de Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro assumiu contornos de uma “tragédia shakespeiana” dentro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala ocorreu durante debate sobre a reportagem de Andreza Matais, publicada pelo Metrópoles, segundo a qual Flávio teria sido “rifado” pelo próprio pai para evitar que os desdobramentos do caso Banco Master atingissem todo o clã.

Miguel disse ter ficado “chocado” com o vídeo da ex-primeira-dama e levantou dúvidas sobre a possibilidade de a gravação ter sido feita sem o conhecimento de Jair Bolsonaro. “Eu fiquei tão chocado, tão chocado, com essa história da Michele e a primeira pergunta que eu me fiz foi essa. Mas será que o Jair não tá sabendo?”, questionou. Para ele, o tamanho do vídeo, o teor político da mensagem e o momento escolhido para a divulgação sugerem que o gesto dificilmente foi isolado.

Ao comentar a hipótese de que Jair Bolsonaro teria autorizado o ataque público ao próprio filho, Miguel afirmou: “Será que o Jair rifou o filho? Será que essa trama é shakespeiana? É uma coisa assim de traição no poder?”. Em seguida, completou: “Essa história do Bolsonaro, o Flávio e a Michele está assumindo características de tragédia shakespeiana, com família real”.

Na avaliação do cartunista, a crise não pode ser vista apenas como uma briga familiar. Ele relacionou o episódio ao temor de novas revelações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. “Essa questão de que virá mais é óbvia”, disse. Segundo Miguel, “não se armaria o escândalo do filme se não fosse bastante grande”.

Miguel também afirmou que Flávio Bolsonaro e outros nomes da extrema direita vêm acumulando erros conforme se aproxima o período eleitoral. Para ele, a sucessão de “trapalhadas” revela nervosismo político e pode afetar principalmente a parcela menos fiel do eleitorado bolsonarista. “Aquela faixa flutuante, sim, hesita e altera o seu voto”, avaliou.

Outro ponto destacado foi a dimensão de gênero da crise. Miguel disse que o conflito evidencia a forma como a extrema direita trata mulheres em espaços de poder. Segundo ele, Michelle Bolsonaro foi escanteada na disputa interna. “Ela está sendo excluída. Não é uma briga de poder em que ela tem as mesmas forças que o homem”, afirmou.

Apesar das críticas políticas à ex-primeira-dama, Miguel disse enxergar nela maior capacidade de articulação do que em Flávio. “Eu temo muito mais a atuação política da Michele do que a do Flávio”, declarou. Para ele, o episódio aprofunda o desgaste do senador, sobretudo entre mulheres, e expõe uma crise de comando, sucessão e controle narrativo no bolsonarismo.

Artigos Relacionados