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Valdemar tenta abafar crise no PL após Michele Bolsonaro detonar aliança com Ciro Gomes: 'ele briga até com o irmão'

Presidente do PL afirma que tucano é o único capaz de derrotar o PT no Ceará e relativiza ataques feitos por ele a Jair Bolsonaro

Ciro Gomes, Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto (Foto: Valdemar Costa Neto-Michelle Bolsonaro/Agência Brasil / Ciro Gomes/Reuters)
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247 - O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa da aliança do partido com o pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e minimizou as críticas feitas pelo aliado contra Jair Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgar um vídeo nas redes sociais criticando a aproximação entre o PL e Ciro. Ela defende que o partido lance o senador Eduardo Girão (Novo) como candidato ao governo do Ceará e avalia que um eventual apoio ao tucano só deveria ocorrer em um segundo turno.

Valdemar defende aliança para enfrentar o PT

Em entrevista à Rádio Gaúcha, segundo o jornal O Globo, Valdemar afirmou que a prioridade do PL é construir uma candidatura competitiva contra o governador Elmano de Freitas (PT), que deverá disputar a reeleição. Para o dirigente, Ciro é o único nome com condições reais de derrotar o grupo governista.

"O Ciro fala mal e briga até com o irmão, briga até... com a família toda. É o jeito dele. Agora o que que acontece? Não trata-se da nossa preferência. O Ciro é um homem sério, que tem muitos defeitos. Ele teve defeitos de atacar todo mundo. Mas é o único que tem chance de vencer o PT. Se nós não formos com ele, o governador do Ceará vai ser do PT. Se nós formos com ele, ele ganha a eleição", afirmou.

Ao justificar a posição, Valdemar também mencionou o rompimento político entre Ciro Gomes e o senador Cid Gomes (PSB), usando o episódio para relativizar as críticas feitas pelo tucano à família Bolsonaro ao longo dos últimos anos.

Michelle defende Eduardo Girão

Michelle Bolsonaro, por outro lado, mantém posição contrária ao acordo. A ex-primeira-dama defende que o PL apoie Eduardo Girão na disputa pelo Palácio da Abolição e entende que uma aproximação com Ciro somente faria sentido em um eventual segundo turno. A divergência expõe diferenças estratégicas dentro do partido sobre a melhor forma de enfrentar o PT nas eleições estaduais.

Ciro evita polemizar

Embora tenha recebido o apoio do PL, Ciro Gomes procura evitar a nacionalização da campanha. A estratégia do tucano é concentrar o debate em problemas da administração estadual, sobretudo nas áreas de saúde e segurança pública.

Questionado sobre o vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro no último final de semana, Ciro respondeu que "não vi o vídeo e nem vou ver. É uma questão do PL nacional e envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui. Eu sigo aqui tranquilo. O eixo do nosso entendimento aqui é um projeto de emancipação do Ceará que nós consideramos que está sendo muito maltratado."

Ainda de acordo a reportagem, a campanha do ex-ministro também pretende evitar a presença do senador Flávio Bolsonaro em seu palanque, considerando o cenário eleitoral do estado, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve ampla vantagem no segundo turno das eleições de 2022.

Racha entre Ciro e Cid Gomes influencia a disputa

O distanciamento entre Ciro e Cid Gomes continua influenciando o cenário político cearense. Os irmãos romperam durante a sucessão estadual de 2022, quando divergiram sobre quem deveria representar o então PDT na disputa pelo governo.

Cid defendia a candidatura da então governadora Izolda Cela, enquanto Ciro apoiava o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, buscando fortalecer seu palanque presidencial.

A divergência contribuiu para o rompimento entre PDT e PT no estado. Na eleição, Elmano de Freitas venceu o pleito com 54,02% dos votos, enquanto Roberto Cláudio terminou a disputa com 14,14%.

PT articula chapa para 2026

O grupo político de Elmano trabalha para fortalecer sua chapa visando às eleições de 2026 e tenta convencer Cid Gomes a disputar a reeleição ao Senado. A avaliação de aliados do governador é que uma eventual candidatura do senador ampliaria o contraste político com o irmão e fortaleceria o projeto petista.

Cid, entretanto, resiste à ideia. O senador afirma que assumiu compromisso político com o deputado federal Junior Mano, apontado como pré-candidato do PSB ao Senado. Segundo ele, o aliado reúne apoio expressivo entre prefeitos cearenses, enquanto a segunda vaga da chapa governista deverá ser destinada a outro partido da base de sustentação do governo estadual.

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