Deputados pedem investigação de policiais que prenderam militantes por faixa "Bolsonaro Genocida”, entre eles, Rodrigo Pilha
Um dos militantes presos, Rodrigo Pilha foi mantido preso com base numa condenação antiga por desacato. Ele se encontra no Complexo Penitenciário da Papuda
247 - Os deputados do Distrito Federal Fábio Félix (PSOL) e Arlete Sampaio (PT) pediram nesta quinta-feira, 25, que o Ministério Público do DF investigue os policiais que prenderam ativistas na semana passada por estenderem faixa “Bolsonaro Genocida”, associando Jair Bolsonaro ao nazismo.
Os manifestantes foram liberados pela Polícia Federal, que não viu relação do protesto com essa lei.
No dia 18, eles foram enquadrados arbitrariamente na Lei de Segurança Nacional. A faixa, além de chamar Bolsonaro de genocida, também carregava uma charge de Renato Aroeira que também foi alvo de ataques do governo, através do ministro da Justiça, André Mendonça.
Os parlamentares pediram que os policiais sejam investigados por abuso de autoridade e improbidade administrativa.
"A censura e a repressão aos protestos e meios de imprensa são expedientes definidores de governos autoritários. Por meio do cerceamento de ideias e da punição das críticas, os autocratas pretendem se perpetuar no poder e fazer prevalecer a noção de que seu governo é imune a críticas", escreveram Félix, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, e Sampaio.
Eles alegam que o protesto não tinha potencial algum para provocar dano à "integridade territorial e a soberania nacional, o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito, ou mesmo à pessoa dos chefes dos Poderes da União".
Rodrigo Pilha continua preso
Apesar de ter liberado a maioria dos militantes presos, o ativista petista Rodrigo Pilha continuou preso pela PF em Brasília com base em uma condenação antiga por desacato. O deputado federal Glauber Braga (PSOL) denunciou que "pegaram uma acusação antiga, de 2014, de desacato, que não sabia. Então não teve ampla defesa e estão utilizando isso como justificativa para mantê-lo preso. É pura perseguição política”.
Na sexta-feira, 19, Pilha foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda. Seu irmão, Érico Grassi, publicou, no domingo, 21, um áudio nas redes sociais explicando a situação de seu irmão.
Ele afirmou que, “se tudo ocorrer bem”, Pilha deveria estar em casa na terça. O petista, no entanto, ainda não foi solto.
Militante pela moradia, Thiago Ávila é preso no DF
Nesse cenário de abusos, nesta quinta-feira, 25, o militante, ativista em defesa de moradia e ecossocialista Thiago Ávila foi preso enquanto visitava e filmava uma ação de despejo de famílias no Distrito Federal. Liminar da Justiça proíbe ações deste tipo durante a pandemia de Covid-19.
Ao chegar no local, o subsecretário de operações do DF Legal, Alexandre Bittencourt, deu voz de prisão ao militante, alegando "obstrução, calúnia, desacato e difamação".
Thiago Ávila foi levado para a 1ª Delegacia de Polícia do DF, mas já está liberado.
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