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Diesel da Petrobras segue 60% abaixo do exterior mesmo após reajuste recente

Diferença em relação ao mercado internacional permanece elevada e gasolina também apresenta defasagem significativa

Bomba de combustível (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Mesmo após o reajuste anunciado pela Petrobras na sexta-feira (13), o preço do diesel vendido no Brasil continua muito abaixo do valor praticado no mercado internacional. Estimativas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que a diferença ainda chega a 60%.

O levantamento também aponta defasagem relevante no preço da gasolina. De acordo com os cálculos da entidade, o combustível permanece cerca de 50% mais barato no mercado brasileiro quando comparado à paridade internacional. A discrepância ocorre em meio à valorização do petróleo no cenário global, com a cotação do barril acima de US$ 100.

Para que os preços domésticos alcançassem o chamado preço de paridade de importação (PPI), os reajustes teriam de ser muito superiores. Pelas estimativas, o diesel precisaria subir R$ 2,18 por litro, enquanto a gasolina demandaria um aumento de R$ 1,26 por litro.

Na sexta-feira (13), a Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,38 por litro, o que representou uma alta de 11,6%. O reajuste foi viabilizado por um mecanismo de subvenção do governo federal destinado a compensar impactos tributários e garantir o abastecimento interno.

Durante a apresentação da medida, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, explicou que o modelo adotado reduz o impacto para as distribuidoras. Segundo ela, “o impacto será de apenas R$ 0,06 por litro”, uma vez que a Medida Provisória 1.340 prevê renúncia fiscal de R$ 0,32 por litro de diesel com a redução de PIS/Cofins.

Sem esse mecanismo de compensação, o aumento do diesel teria sido maior. Nesse cenário, o reajuste poderia chegar a R$ 0,70 por litro, valor que a Petrobras receberá integralmente com a combinação entre o reajuste e a subvenção tributária.

O instrumento fiscal adotado também busca neutralizar os efeitos do imposto de exportação sobre petróleo e diesel, medida implementada para priorizar o abastecimento do mercado doméstico.

Enquanto a Petrobras realizou um único reajuste no período recente, a Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, na Bahia, adotou uma política de revisões mais frequentes. Apenas neste mês, a empresa promoveu quatro aumentos no diesel e três na gasolina, acompanhando a volatilidade das cotações internacionais do petróleo.

Na quarta-feira (11), a companhia anunciou novos reajustes: R$ 0,81 por litro no diesel e R$ 0,44 por litro na gasolina. Mesmo com essas altas, a diferença em relação ao mercado internacional permanece menor do que a observada nos preços da Petrobras. As estimativas indicam defasagem de 15% no diesel e 14% na gasolina produzidos na refinaria baiana.

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