Diretora do Instituto Ideia diz que eleitor de Lula é mais decidido
"Lula ocupa a mente do eleitor, é conhecidíssimo pelo eleitor desde a primeira eleição da redemocratização em 1989", disse Cila Schulman
247 - A diretora-executiva do Instituto Ideia, Cila Schulman, afirmou nesta quarta-feira (6) que o eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta maior grau de convicção em sua escolha do que os apoiadores de outros candidatos, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda passa por consolidação, segundo pesquisa de intenção de voto de maio. Em entrevista à CNN Brasil, a especialista destacou que a diferença de comportamento entre os eleitorados está ligada ao histórico político do petista, amplamente conhecido pelo eleitorado desde a redemocratização.
Cila afirmou: "No caso de Lula, ele ocupa a mente do eleitor, é conhecidíssimo pelo eleitor desde a primeira eleição da redemocratização em 1989, já vai concorrer ao seu quarto mandato. Então, o eleitor que de fato quer votar em Lula é mais convicto, mais decidido mesmo". Segundo a executiva, para os demais candidatos, o cenário eleitoral ainda está em formação e a campanha efetivamente não se consolidou para todos os nomes testados.
Cila Schulman avaliou que a candidatura de Flávio Bolsonaro vem ganhando força principalmente por uma migração de apoio antes direcionado a Jair Bolsonaro. "A gente vê perfeitamente uma migração de votos de Jair para Flávio. Quando a gente olha a pesquisa espontânea, Jair Bolsonaro ainda tem 4% da preferência dos eleitores, mas esses votos devem migrar ainda mais para Flávio", disse.
Ela também mencionou mudanças no cenário político recente que influenciaram os números entre levantamentos, como a saída de Ratinho Júnior (PSD) da disputa. Apesar do avanço, a pesquisadora observou que Flávio Bolsonaro ainda precisa ampliar seu reconhecimento junto ao eleitorado.
Ela afirmou: "Quando faço pesquisa qualitativa, vejo que o eleitor não sabe exatamente quem é o Flávio, exceto que ele é filho do Jair, então ele ainda vai ter que se apresentar". Segundo ela, outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também não possuem o mesmo nível de reconhecimento associado ao sobrenome Bolsonaro.
Conhecimento público e temas do STF
A pesquisa também abordou a percepção dos entrevistados sobre a rejeição, pelo Senado, de um indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), fato que não ocorria desde 1894. De acordo com Cila Schulman, mais de 58% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do episódio.
Ela afirmou: "As pessoas ficaram muito informadas. Minha visão é que, além da cobertura da imprensa, [o assunto] circulou muito em grupos de WhatsApp e nas redes sociais". A analista avaliou que temas relacionados ao STF devem permanecer presentes no debate eleitoral, especialmente nas disputas ao Senado, embora sem impacto imediato no comportamento do eleitor.
"Eu não diria que isso tenha um impacto eleitoral. Esses fatos políticos não causam um impacto eleitoral inicialmente", declarou.
Bets e endividamento entram no debate
Outro ponto analisado na pesquisa foi o impacto das apostas esportivas online no endividamento das famílias.
Cila afirmou que um em cada quatro brasileiros declarou ter apostado em bets no mês pesquisado. "Você tem ali um problema de saúde mental, de família, um problema moral e um problema financeiro, porque as pessoas já reconhecem que as bets e o endividamento estão interligados", disse.
Ela descreveu o fenômeno como um ciclo de endividamento. "São majoritariamente homens que apostam, mas quem tem a consequência disso são as mulheres, porque elas que têm que fechar o orçamento do final do mês", afirmou.
Disputa eleitoral no Sudeste
Ao comentar o cenário eleitoral, a pesquisadora avaliou que a disputa presidencial tende a ser definida na região Sudeste, com forte influência das grandes periferias urbanas.
"Essa eleição, como foi a última, será novamente decidida no Sudeste, especialmente nas periferias dos grandes centros urbanos, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte", declarou.
Ela classificou o cenário como altamente competitivo, com possibilidade de disputa apertada entre os principais candidatos.


