“Efeito Trump” pode desempatar pesquisas a favor de Lula, diz cientista político
“A figura do Donald Trump tende a ser um fator que joga no sentido positivo para a campanha de reeleição de Lula”, afirmou Rafael Cortez
247 - A crescente presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no debate político brasileiro pode influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Especialistas apontam que o chamado “efeito Trump” tende a impactar o comportamento do eleitor em um cenário de forte polarização. A avaliação foi apresentada pelo cientista político Rafael Cortez durante o programa Ponto de Vista, exibido pela revista Veja.
Segundo a análise, a estratégia adotada por Lula ao tensionar o debate envolvendo Trump ultrapassa a política externa e pode gerar efeitos concretos no campo eleitoral.
De acordo com Cortez, a figura do líder norte-americano pode beneficiar diretamente a campanha do atual presidente brasileiro. “A figura do Donald Trump tende a ser um fator que joga no sentido positivo para a campanha de reeleição de Lula”, afirmou.
Impacto do efeito trump na disputa eleitoral
Na leitura do cientista político, o tema pode servir como elemento de diferenciação em uma corrida que se mostra equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. A associação do bolsonarismo com Trump, segundo ele, pode representar um custo político relevante para a oposição.
“Ele pode ser um mecanismo que vai fazer com que a rejeição do Flávio Bolsonaro permaneça em patamar alto”, disse Cortez. A análise indica que episódios envolvendo os Estados Unidos ou o próprio Trump tendem a reforçar percepções negativas entre parte do eleitorado.
Esse cenário, segundo o especialista, pode gerar ganhos indiretos para Lula. Enquanto a rejeição do adversário se mantém elevada, a do atual presidente pode recuar, ampliando sua competitividade mesmo diante de desafios relacionados à avaliação de governo.
Estratégia política e influência internacional
Cortez também destacou que o campo bolsonarista investiu politicamente na aproximação com Trump. “O bolsonarismo investiu na relação com Trump do ponto de vista político”, afirmou.
Essa estratégia, no entanto, abre espaço para que Lula explore o tema como ferramenta de disputa eleitoral. O cientista político avalia que o chamado “efeito Trump” pode atuar como fator decisivo em um cenário apertado.
A análise sugere ainda que a eleição de 2026 deve incorporar elementos da política internacional ao debate doméstico. Nesse contexto, a relação com os Estados Unidos deixa de ser apenas uma questão diplomática e passa a ocupar papel central nas estratégias de campanha.


