Doria diz que Bruno Araújo não defendeu renunciar à candidatura do PSDB
“A ideia dele, como a minha, é que teremos uma grande candidatura”, disse o governador de São Paulo, João Doria, sobre o presidente do PSDB, Bruno Araújo
Juca Simonard, 247 - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse, em entrevista à CNN, nesta segunda-feira, 19, que o presidente do PSDB, Bruno Araújo, foi “mal interpretado” pela imprensa quando disse que a legenda poderia abrir mão de candidatura própria à presidência da República em 2022.
Segundo Doria, Araújo “pensa grande, como eu penso grande também. Quem pensa pequeno já assume a derrota antes de começar a disputa. E o PSDB sempre foi um grande partido. Nos últimos 33 anos, desde que o partido foi criado, o PSDB sempre teve candidato à presidência da República, e não será em 2022 que deixará de ter”.
“Falar em ceder neste momento, quando nós sequer fizemos as prévias do PSDB, é precipitado e não foi essa a ideia do presidente do PSDB, Bruno Araújo. A ideia dele, como a minha, é que teremos uma grande candidatura”, continuou.
“Mas também nós estaremos dispostos a dialogar com vários partidos dentro do chamado ‘centro democrático’, ou ‘polo democrático’, que será capaz de dialogar com direita e esquerda, mas que terá a dignidade e a grandeza de ficar distante dos extremistas, da esquerda e da direita”, afirmou o governador.
Doria, assim, ressalta a ideia da direita tradicional de formar uma “terceira via” em 2022, sem apoiar o ex-presidente Lula (PT) - principal candidato para vencer Jair Bolsonaro, segundo as últimas pesquisas - contra o atual chefe do Planalto.
Em 2018, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi candidato à presidência pelo PSDB e teve um resultado pífio, ficando na 4ª colocação, com 4,76% dos votos válidos - atrás de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT). Foi a primeira eleição desde 1994 que o PSDB ficou fora do segundo turno.
Bruno Araújo
Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que “ninguém pode querer um apoio sem ter disposição de apoiar. O PSDB está aberto até o último momento nas convenções de construir essa unidade no campo distante da polarização entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula”.
Araújo declarou ainda que não há clima para o impeachment de Jair Bolsonaro, pois “os ingredientes necessários para formar essa receita ainda não estão postos à mesa”, reforçando novamente que o partido é contra o “Fora Bolsonaro”.
Crise no PSDB
Doria busca ser o candidato tucano à presidência em 2022, mas não consegue ter hegemonia dentro do partido. Tradicionalmente, o governador de São Paulo dita as regras dentro da legenda, diante do grande aparato do Estado mais rico do País.
Alas ligadas ao deputado federal Aécio Neves (ex-candidato à presidência pelo partido, em 2014) e ao ex-presidente FHC tentam arrumar outro candidato para representar a sigla. Um dos principais nomes contra a indicação de Doria é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também busca trilhar seu caminho como candidato da “terceira via”.
O clima no partido é de confusão. Doria disse à CNN que tem pena de Aécio e lamenta por ele ainda estar no PSDB, ressaltando o episódio em que o atual deputado pediu propina a Joesley Batista, da JBS. A declaração foi uma resposta a uma declaração de Aécio em que ele afirmou que o governador “perdeu as condições de reeleição em São Paulo”.
“Aécio não gosta de eleição, gosta de conchavão, que foi o que ele fez com o governo Bolsonaro. Aécio não quer nenhum nome do PSDB como candidato à Presidência, ele quer é que o fundo eleitoral fique à disposição dele mesmo. Nanico é o pensamento de Aécio Neves. Nanico foi o que ele fez, após a derrota dele, ao pedir propina a um grande empresário brasileiro e estar sofrendo agora a oito processos. Tenho pena e lamento que ele ainda frequente o PSDB. Deveria ter pedido para sair”, disse Doria.
Inscreva-se no canal Cortes 247 e saiba mais: