Edinho Silva vê ação do governo Trump como ataque à soberania brasileira
Presidente do PT afirma que classificar facções criminosas como organizações terroristas pode abrir espaço para sanções e intervenção dos EUA no Brasil
247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou uma possível iniciativa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Em publicação nas redes sociais, o dirigente afirmou que a medida pode representar riscos à soberania do Brasil e advertiu que “o Brasil não é um puxadinho do Trump”.
A manifestação ocorre em meio às discussões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema. Nesta segunda-feira (9) o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar da possibilidade de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca e também para abordar a preocupação do governo brasileiro com a eventual classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Governo Lula e combate ao crime organizado
Na publicação, Edinho Silva afirmou que o governo federal já vem adotando medidas para enfrentar o crime organizado no país. Segundo ele, operações recentes da Polícia Federal e da Receita Federal buscaram atingir o financiamento dessas organizações. “O governo do presidente Lula estrangulou boa parte do sistema financeiro que sustentava o crime no Brasil. Sem dinheiro, o crime não funciona”, declarou.
Ele também citou a proposta de emenda constitucional voltada à segurança pública (PEC da Segurança Pública) enviada ao Congresso Nacional. De acordo com o dirigente, a iniciativa busca fortalecer a cooperação entre União, estados e forças municipais.
“O governo do presidente Lula também enviou para o Congresso Nacional a PEC da Segurança Pública, que fortalece as ações junto com os governadores e, quando preciso, até com as guardas municipais para que a gente possa derrotar o crime”, afirmou.
Classificação como terrorismo e impacto internacional
O presidente do PT argumentou que a proposta atribuída ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria implicações internacionais. Segundo ele, a legislação estadunidense permite ações fora do território dos Estados Unidos contra organizações consideradas terroristas.
“Depois de 2001, quando ocorreu o ataque às Torres Gêmeas, o governo americano mudou a sua legislação e passou a estabelecer que pode atuar em qualquer território para enfrentar organizações terroristas quando elas de alguma forma afetam seus interesses”, disse.
Na postagem, Edinho Silva ressalta que o enquadramento de facções brasileiras como grupos terroristas poderia abrir espaço para sanções ou intervenções. “Com essa medida, o Trump poderá fazer sanções econômicas contra qualquer país que ele julgar importante para combater o terrorismo”, declarou.
Debate diplomático entre Brasil e EUA
Nos bastidores da diplomacia brasileira, há o receio de que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas seja utilizada como justificativa para ações dos Estados Unidos em território brasileiro. O debate sobre o enquadramento de grupos ligados ao crime organizado como terrorismo vem sendo discutido no governo estadunidense e já levou à inclusão de outros grupos latino-americanos na lista.
A proposta de classificar facções brasileiras como terroristas é defendida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e pode ser apresentada ao Congresso estadunidense para eventual aprovação.
Defesa da soberania nacional
Ao comentar o tema, Edinho Silva afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer com cooperação internacional, mas sem comprometer a autonomia do país. “O Brasil é uma nação. O Brasil é um país autônomo e nós admitirmos isso é admitirmos uma agressão à nossa soberania”, afirmou.
Ele também criticou setores políticos brasileiros que, segundo ele, apoiariam a iniciativa estrangeira. “Estamos vendo mais uma vez políticos defendendo os interesses do Trump em detrimento dos interesses do povo brasileiro”, declarou.
O dirigente concluiu a publicação defendendo a mobilização em torno da autonomia e da soberania nacional. “Não podemos permitir que a soberania brasileira seja atacada. O Brasil não é um puxadinho dos Estados Unidos”, afirmou.


