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Eleitor não polarizado se torna alvo central na disputa de 2026

Pesquisa indica que, no momento, esse segmento tem se inclinado mais a Lula

Eleitor não polarizado se torna alvo central na disputa de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado )
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247 - O eleitor não polarizado, que soma 27% do país, pode definir a disputa de 2026 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros presidenciáveis. Esse grupo, segundo recortes inéditos da pesquisa Genial/Quaest divulgados pelo jornal O Globo, rejeita o enquadramento tradicional entre antipetismo e antibolsonarismo e tende a decidir o voto com base em pautas concretas, como renda, emprego, custo de vida e impostos.

De acordo com O Globo, os dados mostram que esses eleitores aparecem com maior incidência entre os mais pobres e entre os que se declaram independentes, sem identificação com direita ou esquerda. Trata-se de uma parcela do eleitorado considerada volátil, menos mobilizada por identidades políticas rígidas e mais sensível à percepção sobre a economia e aos efeitos práticos das propostas apresentadas durante a campanha.

A pesquisa indica que, no momento, esse segmento tem se inclinado mais a Lula. No recorte dos eleitores neutros, a aprovação do governo aparece em 51%, contra 40% de desaprovação. A vantagem, porém, é vista como instável por especialistas, já que o grupo não demonstra fidelidade consolidada a nenhum dos polos e pode alterar sua preferência conforme o ambiente econômico e político.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirma que a leitura sobre esse eleitorado exige cautela, já que o levantamento não detalha todas as motivações específicas do voto. Ainda assim, ele aponta que os dados sugerem uma lógica menos ideológica e mais pragmática.

“O que a estrutura do dado sugere, e aí é leitura minha, é que, por não responderem ao apelo ideológico, esses eleitores tendem a decidir por entrega concreta: renda, custo de vida, percepção de melhora de vida. É o eleitor que responde a resultado de governo, não a narrativas”, afirmou Nunes.

A defesa do fim da escala 6x1 é um exemplo de pauta concreta que pode pesar na decisão desse grupo. Para eleitores menos vinculados a partidos ou lideranças, medidas ligadas ao cotidiano do trabalho, ao orçamento doméstico e à qualidade de vida tendem a ter peso maior do que discursos voltados apenas à disputa ideológica.

Nunes ressalta, no entanto, que o desempenho atual de Lula entre os neutros não representa um voto garantido. A avaliação positiva pode mudar se houver piora na percepção sobre preços, renda ou emprego.

“Por ser um eleitor que responde à conjuntura, esse saldo positivo é reversível. Lula melhorou agora, mas é exatamente o grupo que pode virar de novo se a percepção econômica mudar. É uma boa notícia para o governo, mas não é um voto consolidado”, pontuou.

Na avaliação do diretor da Quaest, os não polarizados formam uma das fatias mais disputadas da eleição porque não estão previamente bloqueados contra Lula ou contra Flávio Bolsonaro. Esse contingente se soma a outro grupo, de cerca de 10%, que rejeita os dois polos, ampliando o espaço de disputa fora das bases mais fiéis de cada campo.

“Não está ‘travado’ contra nenhum dos lados de antemão. Nesse sentido, é o pedaço mais genuinamente disputável do eleitorado, e soma-se a ele a fatia dos 10% que rejeitam os dois polos. Mais de um terço do país não está preso a nenhuma das duas camisas”, afirmou Nunes.

A série histórica da Genial/Quaest mostra relativa estabilidade nas principais classificações do eleitorado, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Em números absolutos, porém, o antipetismo atingiu em junho o menor patamar da série, com 29%. O antibolsonarismo aparece em 31%.

O levantamento também revela diferenças por gênero. Os neutros representam 28% entre as mulheres e 26% entre os homens, percentuais próximos entre si. A diferença é mais clara nos grupos de rejeição: entre as mulheres, o antibolsonarismo chega a 35%; entre os homens, o antipetismo aparece como a rejeição mais forte, com 32%.

O quadro reforça um desafio central para as campanhas de 2026: conquistar um eleitorado menos fiel, mais pragmático e mais atento ao impacto direto das políticas públicas. Em uma disputa marcada pela força dos polos, a decisão de quem não se vê preso a nenhuma das “camisas” pode ser determinante para o rumo da eleição presidencial.

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