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Em Hannover, Lula defende acordo Mercosul-União Europeia e critica 'afirmativas falsas' contra o agronegócio

Presidente destaca impacto do acordo comercial e rebate críticas à agricultura e aos biocombustíveis do Brasil

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o acordo entre União Europeia e Mercosul e criticou restrições ao biocombustível brasileiro, ao mesmo tempo em que rebateu questionamentos sobre a sustentabilidade da agricultura nacional. A declaração foi feita neste domingo (19), durante a abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha. 

Em seu discurso, Lula ressaltou que o acordo entre os blocos, com entrada em vigor parcial prevista para 1º de maio, cria novas oportunidades comerciais, mas alertou para os obstáculos impostos pelas políticas europeias.

Acordo estratégico e impacto econômico

Durante participação na abertura da Hannover Messe, em Hanôver, considerada a maior feira industrial do mundo e que tem o Brasil como país de destaque nesta edição,o presidente destacou a dimensão do acordo. 

“Em menos de duas semanas entra em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e PIB de US$ 22 trilhões. Mais comércio, mais investimentos significam novos empregos e oportunidades. Com maior integração produtiva reforçamos a estabilidade das cadeias de suprimentos. Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas. O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar”, afirmou.

Críticas a barreiras e defesa do biocombustível

Lula também criticou medidas adotadas pela União Europeia que, segundo ele, dificultam a entrada de biocombustíveis brasileiros. “É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura. Criar barreiras de acesso a biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético. Em 1970 vivemos choques do petróleo que evidenciaram os perigos da dependência do petróleo”, declarou.

OMC e papel do Sul Global

O presidente ainda abordou o cenário do comércio internacional, criticando a atual situação da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, é necessário reformular a instituição. “A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes”, disse.

Agenda internacional

Na agenda na Alemanha, Lula se reuniu com o chanceler Friedrich Merz antes do evento. Ele segue com compromissos na Hannover Messe e, posteriormente, viajará para Lisboa, dando continuidade à agenda europeia.

O presidente também afirmou que a presença do Brasil na feira reforça sua posição global. “O convite do Brasil para a feira de Hannover consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza”, declarou.

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