HOME > Brasil

“Estamos reconstruindo o Estado”, diz Lula em Hannover

Presidente destaca indústria, energia limpa e cooperação internacional durante a abertura da Hannover Messe 2026, na Alemanha

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está retomando sua capacidade de planejamento e investimento público, ao destacar a importância da indústria, da inovação e da cooperação internacional durante a abertura da Hannover Messe 2026, na Alemanha.

Ao relembrar sua trajetória pessoal e a história recente do país, Lula ressaltou que, enquanto tecnologias brasileiras eram exibidas na feira em 1980, ele estava preso por liderar uma greve operária durante o regime militar. “Nesse exato 19 de abril, há 46 anos, enquanto tecnologias brasileiras eram expostas aqui, eu era preso por liderar uma greve”, declarou.

O presidente destacou as transformações desde então, como a redemocratização do Brasil e a reunificação alemã, e afirmou que mudanças econômicas globais afetaram a indústria nacional. “Os dogmas do Estado mínimo fragilizaram nossa capacidade de planejamento e investimento”, disse.

Segundo Lula, a retomada da indústria e da inovação ocorreu a partir de seus primeiros mandatos e segue como prioridade. “Estamos reconstruindo a capacidade do Estado para impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social”, afirmou.

Críticas ao cenário global

O presidente apontou contradições no cenário internacional, com avanços tecnológicos convivendo com conflitos armados. “Enquanto astronautas sobrevoam a Lua, bombardeios matam de forma indiscriminada civis, mulheres e crianças”, disse.

Lula também criticou o uso da inteligência artificial em operações militares. “A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, afirmou.

Ele destacou ainda os impactos econômicos das guerras. “As guerras causam prejuízos econômicos palpáveis”, disse, ao mencionar a alta no preço do petróleo e os efeitos sobre alimentos e transporte.

Defesa da cooperação internacional

O presidente defendeu o fortalecimento do multilateralismo e criticou o protecionismo. “O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”, afirmou.

Lula também apontou a necessidade de reformar instituições globais. “O novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, disse.

Ao citar o acordo entre Mercosul e União Europeia, ele destacou seus impactos econômicos. “Mais comércio e mais investimento significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico”, afirmou.

Energia limpa e papel do Brasil

O presidente ressaltou o protagonismo brasileiro na transição energética. “Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, disse.

Lula também reafirmou metas ambientais. “Temos um compromisso assumido de chegar ao desmatamento zero na Amazônia até 2030”, afirmou.

Ele destacou ainda o potencial do país em energia renovável. “Temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo”, disse.

Economia, tecnologia e inovação

Lula afirmou que o Brasil tem registrado crescimento econômico e avanços sociais recentes. “Desde 2023, registramos crescimento superior à média mundial e alcançamos o menor desemprego da nossa história”, declarou.

O presidente também destacou investimentos em tecnologia e inovação. “A ciência voltou ao centro do projeto de desenvolvimento nacional”, disse.

Indústria 4.0 e futuro global

Ao encerrar, Lula ressaltou a importância da cooperação internacional para o avanço tecnológico. “A inovação é um esporte coletivo que se fortalece no encontro de diferentes ideias e talentos”, afirmou.

Ele concluiu defendendo a paz como base do desenvolvimento. “A paz e a cooperação são os verdadeiros alicerces da prosperidade compartilhada”, disse.

Artigos Relacionados