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Entenda por que Lula fará radioterapia após câncer de pele

O procedimento, que terá 15 sessões ao longo de três semanas, busca reduzir o risco de retorno do tumor no local

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Lula começou nesta segunda-feira (25) sessões de radioterapia após a retirada de um carcinoma basocelular no couro cabeludo, tipo mais comum e menos agressivo de câncer de pele. Diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e especialista em câncer de pele, uma das indicações para o tratamento acontece quando o exame identifica invasão perineural (presença de células tumorais ao redor de pequenos nervos). “Mesmo com margens livres, esse achado aumenta o risco de retorno local e costuma justificar radioterapia complementar”, disse. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo

O procedimento, que terá 15 sessões ao longo de três semanas, busca reduzir o risco de retorno do tumor no local. Outra hipótese para a radioterapia é quando a margem da cirurgia fica muito estreita ou positiva, situação em que existem sinais de tumor na borda do tecido retirado. Nesses casos, a radioterapia é usada como reforço para eliminar eventuais células cancerígenas remanescentes.

O especialista também citou a recidiva no mesmo local como motivo para associar o tratamento radioterápico à cirurgia. “Quando o tumor reaparece após uma cirurgia prévia, é comum associar radioterapia para reduzir a chance de nova recorrência.”

Entenda

De acordo com boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês em Brasília (DF), Lula será submetido a uma radioterapia superficial e não precisará se afastar de suas atividades. A lesão havia sido removida no fim de abril, e a indicação do tratamento complementar foi avaliada por especialistas como uma conduta possível em situações específicas, embora o boletim não detalhe a razão médica exata para a decisão.

O carcinoma basocelular costuma ter baixa probabilidade de disseminação para outros órgãos. Em grande parte dos casos, a cirurgia é suficiente para retirar o tumor. Ainda assim, médicos explicam que a radioterapia pode ser indicada quando há fatores que aumentam o risco de recorrência local, como características identificadas no exame anatomopatológico ou dificuldades relacionadas à margem cirúrgica.

Tratamento pode evitar cirurgias mais extensas

A radio-oncologista Denise Ferreira, diretora da Sociedade Brasileira de Radioterapia, afirmou que a radioterapia é um dos principais tratamentos para tumores de pele, embora seja menos lembrada pelo público porque lesões menores costumam ser resolvidas com cirurgia.

“O tratamento radioterápico é uma opção curativa importante. Muitas vezes ele não é a primeira escolha porque a cirurgia resolve de forma rápida, mas há situações em que a radioterapia é mais adequada, seja por questões anatômicas, estéticas ou pela complexidade da ressecção”, disse.

No caso de tumores no couro cabeludo, a decisão pode ser tomada quando, durante o procedimento cirúrgico, se constata que a lesão é mais infiltrativa do que aparentava inicialmente. Segundo Ferreira, a radioterapia complementar pode reduzir a necessidade de uma cirurgia mais ampla.

“Para evitar uma cirurgia muito extensa, com necessidade de retalhos e maior morbidade, pode-se optar pela radioterapia complementar, que também tem excelente taxa de controle.”

A especialista destacou ainda que sinais patológicos de maior risco, como margens exíguas, infiltração vascular ou perineural, também podem justificar a indicação do tratamento.

Radioterapia funciona como consolidação

O radio-oncologista Elton Leite, integrante da equipe de tumores cutâneos do serviço de radioterapia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, afirmou que a radioterapia pós-operatória é uma prática de rotina em casos específicos de carcinoma basocelular.

“Mesmo sendo um tumor de excelente prognóstico, dependendo da localização e de fatores encontrados no exame patológico, a radioterapia funciona como consolidação. Ela esteriliza o leito tumoral e reduz ainda mais a chance de recorrência”, afirmou.

Leite também mencionou situações como invasão da musculatura do couro cabeludo ou eventual acometimento ósseo como exemplos em que a radioterapia pode ser indicada.

“A chance de cura já é muito alta, mas com a radioterapia conseguimos empurrá-la ainda mais para perto de 100%.”

Prognóstico é considerado favorável

Apesar da necessidade de tratamento complementar, os médicos ouvidos afirmaram que o prognóstico é bastante favorável. Segundo Guedes, a chance de cura costuma ser muito elevada em casos como esse.

“A chance de cura costuma ser altíssima, superior a 90%”, disse.

A técnica geralmente utilizada nesses casos é a radioterapia superficial, feita com feixes de elétrons que concentram a dose na pele e em tecidos rasos. A estratégia busca preservar estruturas profundas e reduzir riscos associados ao procedimento.

“Hoje conseguimos fazer uma radioterapia muito superficial, sem atingir tecido cerebral ou regiões profundas, o que torna o procedimento bastante seguro”, explicou Leite.

Denise Ferreira afirmou que o esquema adotado no caso de Lula é um hipofracionamento, com doses um pouco maiores distribuídas em menos sessões.

“É um formato moderno, bem estabelecido, que reduz o tempo total de tratamento e facilita a rotina do paciente sem comprometer a eficácia.”

Efeitos colaterais tendem a ser localizados

Os especialistas afirmam que os efeitos colaterais da radioterapia superficial tendem a ser leves e restritos à área tratada. Entre os mais comuns estão vermelhidão, irritação cutânea, radiodermite e queda temporária de cabelo na região irradiada. “É um tratamento bem tolerado. Os efeitos são predominantemente locais e, em geral, não impedem a rotina normal”, disse Guedes.

Ferreira acrescentou que podem ser necessários cuidados extras com a pele irradiada para evitar irritação ou infecção local. Leite afirmou que fadiga também pode ocorrer, mas de forma discreta. “Se aparecer, é algo leve, praticamente imperceptível, sem impacto sobre as atividades diárias.”

A manutenção da agenda presidencial é compatível com o perfil do tratamento, segundo os médicos. Para Ferreira, o caso também contribui para ampliar o conhecimento público sobre o uso da radioterapia em tumores de pele.

“A radioterapia para tumores de pele tem baixa visibilidade, mas muitas vezes evita múltiplas cirurgias e preserva melhor a estética e a função. É importante que a população saiba que ela também é uma opção curativa.”

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