“O colonialismo digital é uma ameaça real e imediata”, alerta Lula
Presidente defende cooperação entre Brasil e África em inteligência artificial, energia limpa e formação científica
247 - O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (25), em Brasília, que “o colonialismo digital é uma ameaça real e imediata”, durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. No pronunciamento, Lula defendeu a ampliação da cooperação entre Brasil e África em áreas estratégicas como inteligência artificial, energia limpa, formação de pesquisadores e agregação de valor aos recursos naturais. Segundo o presidente, a parceria entre as regiões deve evitar a repetição de relações históricas de dependência entre Norte e Sul.
Lula afirmou que Brasil e África compartilham grande potencial para a produção de energia eólica, solar, biocombustíveis e hidrogênio verde. Para ele, aproveitar essa oportunidade dependerá de investimentos permanentes em ciência, tecnologia e formação profissional.
“A África e o Brasil compartilham um potencial imenso para produção de energia eólica, solar, biocombustíveis e hidrogênio verde”, disse Lula.
O presidente destacou que será necessário formar pesquisadores, engenheiros e profissionais altamente capacitados, além de realizar em território nacional as etapas de maior valor agregado na cadeia de minerais críticos. Lula associou esse processo à necessidade de cooperação científica e investimentos contínuos.
“Sem agregar valor aos recursos naturais, estaremos fadados à reeditar a relação de dependência entre norte e sul”, afirmou.
Ao tratar da inteligência artificial, Lula classificou a tecnologia como uma ferramenta estratégica, mas alertou para os riscos de concentração de poder nas mãos de poucos países e empresas. Segundo ele, os algoritmos podem se tornar instrumentos de dominação quando controlados por grupos restritos.
“A inteligência artificial é uma ferramenta estratégica, mas o colonialismo digital é uma ameaça real e imediata. Nas mãos de poucos países e poucas empresas, os algoritmos se transformaram em instrumento de dominação”, declarou.
Lula também afirmou que o investimento em infraestrutura digital será decisivo para enfrentar problemas estruturais em diferentes áreas. Para o presidente, sem essa base tecnológica, será difícil superar carências crônicas em alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica.
O presidente defendeu ainda que os modelos de linguagem da inteligência artificial sejam desenvolvidos em diferentes idiomas, incluindo línguas faladas no Brasil e no continente africano. Na avaliação de Lula, a diversidade linguística deve fazer parte da construção tecnológica.
“Os modelos de linguagem da inteligência artificial precisam ser construídos também em português, iorubá, zulu e nas muitas línguas dos povos africanos”, disse.
Lula afirmou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê linhas de financiamento voltadas à cooperação com a África e a América Latina. De acordo com o presidente, serão US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso de infraestrutura brasileira de inteligência artificial com o objetivo de estimular a colaboração entre pesquisadores.
A defesa de uma cooperação tecnológica mais ampla foi apresentada por Lula como parte da estratégia de aproximação entre Brasil e África, com foco em ciência, soberania digital, transição energética e desenvolvimento sustentável.



