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“África é juventude, inovação e diversidade”, diz Lula na abertura de fórum de reitores

Presidente defende retomada dos compromissos históricos do Brasil com o continente africano e destaca cooperação universitária

Lula durante sessão de abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil - África Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (25), em Brasília, que a “África é juventude, é inovação, é diversidade”, ao abrir o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, encontro voltado ao fortalecimento da cooperação universitária entre instituições brasileiras e africanas. 

Na abertura do fórum, Lula destacou a presença de 70 reitores brasileiros e 74 reitores africanos, de mais de 30 países, e afirmou que a iniciativa representa “um passo para fortalecer e expandir nossa cooperação universitária”. O presidente também relacionou o encontro ao Dia da África e à necessidade de o Brasil reassumir compromissos históricos com o continente.

“Essa é uma reunião que está acontecendo tardiamente, num momento delicado que vive a geopolítica”, disse Lula. Segundo ele, a data deve servir para reforçar a sensibilidade do país diante de uma relação marcada pela proximidade geográfica, cultural e histórica, mas também por uma dívida profunda.

“Nesse Dia da África, é importante que a gente tenha a sensibilidade para reassumir os compromisso que o Brasil jamais deveria ter deixado de assumir com o continente africano. Não só porque estamos muito próximos, mas porque temos uma dívida. Uma dívida de 350 anos de escravidão, que fez do nosso país o que nós somos”, afirmou.

Lula ressaltou que a formação do povo brasileiro está diretamente ligada à presença africana, à população indígena e à colonização europeia. Para o presidente, essa combinação moldou a identidade nacional.

“A coisa mais extraordinária foi a possibilidade de miscigenação do nosso povo. A mistura do povo africano com os indígenas brasileiros e com os europeus criou o que somos, do ponto de vista da nossa cor, da nossa cultura. O Brasil é um povo muito especial”, declarou.

O presidente também fez uma crítica aos efeitos da colonização sobre a autoestima dos povos colonizados. Segundo ele, países que passaram por esse processo foram levados a valorizar mais os colonizadores do que a si mesmos.

“Muitas vezes, quem não respeita o Brasil somos nós mesmos, que nos enxergamos menor e com menos valor. Mas isso acontece num país que foi colonizado. Um país colonizado aprende por muito tempo que o importante é apenas o colonizados, que nós valemos pouca coisa”, afirmou.

Lula disse ainda que a colonização não se limitou ao domínio político ou territorial, mas também atingiu dimensões culturais e econômicas. Ele mencionou o impacto desse processo sobre países africanos que, antes da colonização, eram autossuficientes na produção de alimentos.

“Fomos escravizados também pelo ponto de vista cultural. Muitos países africanos eram autossuficientes na produção de alimentos e depois da colonização deixaram de ser, porque era preciso receber os alimentos dos colonizados”, disse.

Ao defender a centralidade da África no cenário internacional, Lula afirmou que o continente deve ser visto como parte essencial do futuro global. O presidente lembrou que, até 2050, um em cada quatro habitantes do planeta será africano, e associou essa perspectiva à necessidade de ampliar as relações do Brasil com os países africanos.

“Esta iniciativa é um convite a olhar para o futuro e reconhecer a centralidade desse continente para o mundo. Até 2050, um em cada quatro habitantes do planeta será africano. A África é juventude, é inovação, é diversidade. Ela tem diante de si um horizonte de possibilidade extraordinárias. Por isso sempre tratei a África como prioridade da política externa brasileira”, afirmou Lula. 

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