Lula reage nas redes à emoção da jornalista Luciana Barreto no Sem Censura
Presidente respondeu a Luciana Barreto após jornalista destacar presença de mulheres negras na bancada do Sem Censura
247 - A emoção de Luciana Barreto durante entrevista com o presidente Lula no programa Sem Censura, da EBC, marcou a conversa realizada nesta sexta-feira (22). A jornalista destacou a presença de duas mulheres negras na bancada que entrevistava o presidente e relacionou a cena ao avanço de políticas públicas de inclusão.
O episódio ganhou repercussão depois que Luciana afirmou, diante de Lula, que tentava “fingir normalidade”, mas via naquele momento um símbolo importante para a televisão pública e para o país. “Eu estou aqui fingindo normalidade, mas na verdade a gente está diante, na bancada, de duas mulheres negras. O senhor está entre duas mulheres negras entrevistando o presidente da República. Eu nem lembro se isso já aconteceu neste país”, disse a jornalista.
Lula respondeu de forma direta: “nunca”. Em seguida, Luciana Barreto associou o significado da cena à trajetória de políticas públicas que ampliaram a presença da população negra em espaços historicamente restritos. “Mas isso é graças a políticas públicas que permitiram a mobilidade social. Então isso me emociona muito, presidente. Estar aqui, agora, fazendo parte da bancada entrevistando o presidente da República”, afirmou.
A jornalista também abordou os ataques sofridos por mulheres negras, especialmente no ambiente digital. “Sei que o senhor também é uma pessoa que esteve muito envolvida nas últimas décadas para que a população preta tivesse mobilidade social. Mas isso tem sido um ativo também de ódio. Nós, mulheres negras, somos também o alvo do discurso de ódio, nas redes sociais especialmente”, declarou.
Ao tratar do tema, Luciana afirmou que a violência simbólica contra mulheres negras está ligada ao avanço social dessa parcela da população. “Esse discurso de ódio tem a ver com a mobilidade social. Nos querem na cozinha, presidente. Mas a gente está aqui entrevistando o presidente da República. Queria saber como o senhor enfrentou toda essa adversidade para colocar políticas públicas neste país”, completou.
Lula respondeu que a criação de políticas públicas voltadas à inclusão sempre enfrentou resistência. “É sempre muito difícil. Toda vez que a gente tenta criar uma coisa nova, aparecem pessoas dizendo ‘olha, custa muito; não precisa’. Aí apareciam os preconceituosos: ‘você vai tirar meu filho da escola para colocar um negro?’”, disse o presidente.
Na sequência, o presidente defendeu que o objetivo das ações de inclusão é garantir igualdade de oportunidades, e não retirar direitos de outros grupos. “Eu não vou tirar teu filho para colocar um negro. Eu quero que o negro tenha a mesma oportunidade que o teu filho. É só isso que eu quero. Eu não quero tirar a filha da patroa para colocar a filha da empregada doméstica. Eu só quero que a filha da empregada doméstica tenha as mesmas chances da sua filha, que vá para a mesma escola, que tenha o mesmo professor e que dispute a mesma vaga. É só isso que eu quero”, afirmou.
Lula também recordou a história de uma estudante que ingressou em uma universidade em Minas Gerais e relatou a ele episódios de discriminação no ambiente acadêmico. “Eu sei do preconceito que vocês sofrem. Eu lembro de uma menina que a gente colocar na universidade lá em Minas Gerais e ela dizia para mim: ‘presidente, toda vez que eu entro na sala de aula, as minhas amigas mais ricas nem olham para mim’. Eu falava para ela: ‘não se preocupe, não fique chateada; vença. Quando você vencer, as pessoas vão te respeitar’”, disse.
Ao comentar mudanças no acesso ao ensino superior, o presidente citou a Universidade de São Paulo. “Eu fui na USP num tempo desse. A USP era uma universidade de branco. Hoje, 50% da USP é de meninos negros e pardos da periferia”, afirmou Lula.
Depois da entrevista, o presidente também comentou em suas redes a emoção vivida no programa. “Vivi um momento que me emocionou profundamente no Sem Censura. Ouvir Luciana Barreto falar sobre o significado de duas mulheres negras entrevistarem o presidente da República mostra o Brasil que estamos construindo juntos”, declarou.
Lula afirmou ainda que o país segue diante de desafios para ampliar a igualdade racial. “Ainda há muito a avançar. Mas hoje a população negra ocupa espaços que por muito tempo lhe foram negados. E isso é fruto de luta, de políticas públicas e de coragem”, disse.
O presidente concluiu a manifestação defendendo a continuidade de ações voltadas à igualdade de oportunidades. “Seguimos trabalhando por um país com mais igualdade, respeito e oportunidades para todos.”
lula sem sensura



