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“O Brasil tem tudo para ser protagonista da nova ordem mundial”, afirma Lula

Presidente relaciona terras raras, Amazônia, água doce e petróleo ao papel estratégico do país no cenário global

“O Brasil tem tudo para ser protagonista da nova ordem mundial”, afirma Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil reúne condições únicas para assumir posição central na nova ordem mundial em formação. Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula associou o futuro estratégico do país às reservas de terras raras, à biodiversidade, à água doce, ao petróleo e à dimensão territorial brasileira.

“O Brasil tem tudo para ser protagonista da nova ordem mundial”, afirmou o presidente ao defender uma política internacional baseada no multilateralismo e na soberania nacional.

A entrevista ocorreu em meio ao aumento da disputa global por minerais críticos e recursos naturais considerados essenciais para setores como inteligência artificial, transição energética, indústria militar e produção de semicondutores. O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, além de vastas reservas hídricas e energéticas.

Segundo Lula, o país precisa compreender o peso geopolítico de seus ativos estratégicos. “Nós temos a maior reserva da floresta do planeta Terra. Temos 12% da água doce do mundo, temos multiminerais e temos petróleo”, declarou.

O presidente também destacou a dimensão territorial brasileira e suas fronteiras marítimas e terrestres como fatores centrais para a projeção internacional do país. “Nós temos 16.800 quilômetros de fronteira seca e mais 8.000 quilômetros de fronteira marítima”, afirmou.

Para Lula, esse conjunto de riquezas coloca o Brasil em posição privilegiada no cenário global que emerge após a crise do modelo unipolar liderado pelos Estados Unidos. Segundo ele, o mundo vive um momento de transição geopolítica profunda.

“A geopolítica de hoje não é a geopolítica de 1945”, afirmou, ao defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU e ampliação da participação de países do Sul Global nas decisões internacionais.

Lula voltou a criticar o unilateralismo das grandes potências e afirmou que o multilateralismo internacional entrou em colapso nos últimos anos. “Acabou o multilateralismo”, declarou.

Durante a entrevista, o presidente citou conflitos recentes no Iraque, Irã, Gaza, Líbia e Ucrânia como exemplos de decisões tomadas unilateralmente pelas potências militares globais. Segundo ele, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU deixaram de atuar coletivamente.

“Esses cinco homens precisam se reunir”, afirmou, em referência aos líderes das potências nucleares.

Ao comentar a corrida internacional pelas terras raras brasileiras, Lula afirmou que Estados Unidos, Europa e China demonstram forte interesse estratégico nos minerais nacionais.

“Todo mundo quer, porque é o futuro que está em jogo”, disse.

Segundo o presidente, o Brasil não aceitará repetir o modelo histórico de exportação de commodities sem agregação de valor. “Nós não vamos cavucar e vender”, declarou.

Lula afirmou ainda que o governo trata o tema das terras raras como questão de segurança nacional e pretende garantir industrialização interna e geração de riqueza para a população brasileira.

“Isso é patrimônio do povo brasileiro”, afirmou.

Na avaliação do presidente, o Brasil precisa abandonar definitivamente qualquer postura subordinada no cenário internacional e atuar com autonomia estratégica. “Eu quero respeito. Eu não quero brigar com ninguém, mas o Brasil precisa ser tratado com igualdade”, declarou.

Ao longo da entrevista, Lula também voltou a defender a integração dos países do Sul Global e reforçou sua aposta em um mundo multipolar, com maior equilíbrio entre as nações.

“Nós não podemos permitir que um país queira ser dono do mundo”, afirmou.

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