“Isso é patrimônio do povo brasileiro”, diz Lula sobre terras raras e minerais críticos
Presidente afirma que riquezas estratégicas serão tratadas como questão de soberania nacional e critica modelo de exportação sem industrialização
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil tratará as reservas de terras raras e minerais críticos como uma questão estratégica de soberania nacional. Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula disse que o país não repetirá o modelo histórico de exploração predatória baseado apenas na exportação de matérias-primas.
“Isso é patrimônio do povo brasileiro”, declarou o presidente.
A entrevista ocorreu em meio ao aumento da disputa global por minerais estratégicos usados em setores como inteligência artificial, carros elétricos, baterias, indústria militar e transição energética. O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, atrás apenas da China.
Segundo Lula, o governo criou um conselho nacional diretamente ligado à Presidência da República para coordenar a política sobre minerais críticos. “Nós estamos tratando isso como uma questão de segurança nacional”, afirmou.
O presidente destacou que o Brasil ainda conhece apenas cerca de 30% do potencial mineral de seu território e afirmou que novas pesquisas serão incentivadas sob controle estratégico do Estado.
“Nós não vamos mais fazer com os minerais críticos e as terras raras o que foi feito com o minério de ferro. Vai cavucando e vai vendendo. Não”, disse.
Lula defendeu que qualquer exploração mineral no país esteja associada à industrialização em território brasileiro. Segundo ele, empresas estrangeiras poderão investir no setor, desde que aceitem produzir valor agregado dentro do Brasil.
“Nós não temos veto a empresa americana, chinesa, russa ou europeia. Quem quiser vir ao Brasil para pesquisar e industrializar aqui, nós estamos dispostos a conversar”, afirmou.
O presidente alertou para o risco de interesses privados tentarem acelerar a venda descontrolada das reservas nacionais. “Tem muita gente que quer. A Europa inteira quer, os Estados Unidos querem, todo mundo quer, porque é o futuro que está em jogo”, declarou.
Segundo Lula, a exploração das terras raras precisa beneficiar diretamente a população brasileira. Por isso, o governo estuda mecanismos semelhantes ao fundo social criado durante a exploração do pré-sal.
“Se a gente vai ganhar dinheiro com isso, um fundo tem que ser criado para garantir que o povo brasileiro participe dessa riqueza”, afirmou.
Lula também relacionou o tema ao novo cenário geopolítico global. Para ele, o Brasil reúne condições únicas para ocupar uma posição estratégica no mundo multipolar devido às reservas minerais, à água doce, à biodiversidade e à capacidade energética.
“Nós temos a maior reserva florestal do planeta, 12% da água doce do mundo, minerais críticos e petróleo”, destacou.
Ao comentar a pressão internacional sobre os recursos brasileiros, Lula voltou a defender relações internacionais baseadas no respeito mútuo e criticou o unilateralismo das grandes potências.
“Nós não podemos permitir que um país queira ser dono do mundo”, afirmou.
Na avaliação do presidente, o Brasil precisa abandonar definitivamente qualquer postura de submissão internacional e atuar como protagonista global. “Eu quero respeito. Eu não quero brigar com ninguém, mas o Brasil precisa ser tratado com igualdade”, declarou.



