Epstein: justiça determina que Patrícia Lelis retire imediatamente acusações contra Izabel Goulart citando prostituição
Decisão liminar fixa duas horas para exclusão de posts e proíbe novas menções, sob risco de suspensão do perfil
247 - A Justiça de São Paulo ordenou nesta sexta-feira (13) que a jornalista e influenciadora Patrícia Lélis apague das redes sociais publicações em que atribui à modelo brasileira Izabel Goulart envolvimento com o esquema de exploração sexual ligado ao bilionário Jeffrey Epstein. A medida foi concedida em caráter liminar e estabelece prazo de duas horas para a remoção do conteúdo, sob pena de exclusão do perfil na plataforma.
A informação foi publicada originalmente pelo g1. A decisão também proíbe novas postagens com menções diretas ou indiretas à modelo, que acusa a influenciadora de calúnia, injúria e difamação.
Segundo os autos, ao menos dois vídeos continuavam disponíveis até a última atualização, apesar da ordem judicial. Em um deles, a influenciadora chama a modelo de prostituta e afirma que ela “recrutava meninas para o Epstein”. Para a juíza Marcela Raia de Sant'Anna, da 12ª Vara Criminal, trata-se de evidência de “reiteradas investidas contra a honra” sem apresentação de provas que sustentem as acusações.
Ao fixar a medida cautelar, a magistrada destacou o risco de danos irreparáveis à carreira da modelo, que “depende diretamente de sua imagem e reputação para o exercício de sua atividade laboral”. Na decisão, acrescentou: “Ademais, a manutenção das publicações na internet, cujo alcance é massivo e de difícil controle, perpetua o dano e amplia o potencial de prejuízos materiais e morais, não apenas no âmbito profissional, mas também de suas relações pessoais e familiares”.
A juíza também fez referência aos limites constitucionais da manifestação pública. “A liberdade de expressão, embora seja um direito fundamental, não é absoluta e encontra limites nos direitos à honra, à imagem e à dignidade da pessoa humana”, diz o despacho que determinou a retirada do material.
O caso ganhou repercussão após a divulgação, pelas autoridades americanas, de milhões de documentos relacionados às investigações sobre Epstein. O nome da brasileira apareceu em trocas de e-mails tornadas públicas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, nas quais o financista mencionaria uma hospedagem em Nova York — versão contestada pela defesa.
Em nota, o advogado Daniel Bialski afirmou: “A modelo internacional e empresária Izabel Goulart afirma categoricamente que jamais esteve ou se hospedou em um apartamento de Epstein, desconhecendo completamente esses fatos”. A defesa acrescenta que ela “apenas dividiu com outras modelos, um apartamento em Nova York, quando foi morar na cidade americana para trabalhar. Esse apartamento foi cedido pela agência que a representava na época, o que é comum em contratos internacionais que envolvem modelos maiores de idade, que era o seu caso em 2005”.
Bialski informou ainda que pretende pedir a remoção das páginas e, em caso de descumprimento, buscar medidas mais duras, inclusive a prisão da influenciadora. Procurada, a defesa de Patrícia Lélis não havia se manifestado até a última atualização.
Paralelamente, o Ministério Público Federal apura se há alguma conexão do Brasil com a rede investigada nos Estados Unidos. A repercussão internacional do caso também alcançou o setor da moda, já que a modelo construiu carreira no exterior e teve passagens por marcas como a Victoria's Secret.
A ordem judicial determina a retirada imediata do conteúdo das contas da influenciadora no Instagram e fixa multa e outras sanções em caso de descumprimento, reforçando o entendimento de que a circulação de acusações sem comprovação pode gerar danos amplificados na internet. A decisão foi proferida em São Paulo.
