Erika Hilton pede ação da AGU contra fake news sobre Lula
Pedido envolve conteúdos que atribuíram falsamente o crime de transfobia ao presidente
247 - A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) a adoção de providências contra a disseminação de conteúdos que atribuem, de forma falsa, a prática do crime de transfobia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a parlamentar, publicações em redes sociais e em páginas que se apresentam como veículos jornalísticos distorceram um episódio ocorrido durante um evento oficial. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a controvérsia teve origem em um discurso do presidente durante um evento na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, realizado na semana passada.
Discurso de Lula e a origem da controvérsia
Na ocasião, Lula abordava os riscos do uso da inteligência artificial quando se confundiu ao trocar o pronome feminino “ela” pelo masculino “ele” ao se referir à deputada estadual Érika Takimoto (PT-RJ), que é uma mulher cisgênero. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, tratou-se de um engano momentâneo.
Durante o discurso, o presidente afirmou: “vocês mulheres tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está, e colocar você pelada no celular. [...] É capaz de tirar uma foto da ‘Érika’ vestidinha, do jeito que ele está aqui, com a perna cruzada, e amanhã aparecer ela pelada”.
Disseminação de conteúdos nas redes sociais
Dias depois do evento, perfis ligados a políticos de direita passaram a associar a fala do presidente à deputada federal Erika Hilton, que é uma mulher transexual. Entre os responsáveis pelas publicações estão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP).
As postagens acusaram Lula de transfobia e cobraram que Erika Hilton se posicionasse sobre o episódio. Segundo a parlamentar, a narrativa falsa alcançou ampla repercussão, somando milhões de visualizações e engajamento nas redes sociais.
Pedido formal à Advocacia-Geral da União
Em ofício encaminhado ao advogado-geral da União, Jorge Messias, Erika Hilton sustenta que houve desinformação deliberada e calúnia, com potencial de prejudicar a imagem do presidente, ampliar a polarização política e comprometer a confiança nas instituições.
No documento, a deputada solicita a investigação de uma possível coordenação entre os responsáveis pela disseminação do conteúdo, a responsabilização dos envolvidos, a retratação pública das informações falsas e a remoção das publicações pelas plataformas digitais. Ela também pede que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência seja informada sobre a existência da rede de desinformação.
“Evidentemente que o Sr. Presidente não praticou transfobia, muito menos contra a Deputada Federal Erika Hilton, uma vez que ela nem estava presente à cerimônia, e ele inquestionavelmente se referia a uma ‘Erika’ presente na plateia”, afirma o texto enviado à AGU.


