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Escândalo do Banco Master aprofunda racha no clã Bolsonaro

Desgaste entre aliados de Flávio Bolsonaro e Michelle se aprofunda , enquanto Lula amplia vantagem em pesquisa Datafolha

Michelle evita comentar escândalo Flávio-Vorcaro e diz que prioridade é cuidar de Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR / Geraldo Magela/Agência Senado / Divulgação)
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247 - A crise do Banco Master expôs um novo desgaste entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o grupo político ligado a Michelle Bolsonaro (PL), em meio ao avanço do presidente Lula em pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial.

Reportagem da Folha de S.Paulo aponta que o episódio ganhou força após a revelação da relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e reacendeu tensões internas no PL. Segundo o jornal, lideranças da legenda ouvidas sob reserva afirmam que a tentativa de trégua entre o senador e Michelle voltou a ser interrompida depois que o caso veio à tona.

Pessoas próximas à ex-primeira-dama relatam incômodo com a situação e dizem que o entorno de Michelle passou a adotar uma postura de distanciamento em relação ao filho mais velho de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama chegou a ser vista como possível nome do campo bolsonarista para a disputa presidencial, mas acabou preterida após Jair Bolsonaro apoiar a pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.

Interlocutores de Michelle afirmam que ela tem buscado se manter afastada das discussões sobre a crise e das especulações internas no PL sobre uma eventual substituição de Flávio, caso a pré-candidatura do senador se torne inviável. Nesta semana, durante um evento de lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia a deputada federal pelo Distrito Federal, Michelle foi questionada sobre o caso e evitou sair em defesa do senador.

Ao ser questionada sobre a crise envolvendo Flávio, Michelle reforçou o distanciamento.

“O Flávio você tem que perguntar para ele”, disse.

No Distrito Federal, Michelle tem ampliado sua influência sobre os rumos do PL. Ela é pré-candidata ao Senado, fortaleceu um núcleo político próprio e também tem apoiado candidaturas pontuais em outros estados. O movimento ocorre em meio à reorganização interna da legenda e ao aumento das incertezas sobre o impacto político da crise do Banco Master.

A situação atingiu diretamente a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Vieram a público áudios e mensagens nos quais o senador pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, apresentado como uma espécie de biografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro até a chegada ao poder.

O desgaste foi ampliado porque Flávio havia dito a aliados que não havia problemas ocultos em sua relação com o Banco Master. Antes da divulgação das novas informações, o senador chegou a afirmar que um jornalista havia mentido ao questioná-lo sobre o pedido de recursos.

Dias depois, foi revelado que Flávio se reuniu com Vorcaro na casa do então dono do Banco Master, pouco depois da primeira prisão do ex-banqueiro. O senador afirmou que o encontro teve como objetivo encerrar a relação com o investidor do filme.

A crise aumentou a cautela entre aliados de Flávio, especialmente fora do PL. O temor é que novas revelações possam surgir sobre a relação entre o senador e Vorcaro. Dentro do partido, dirigentes ouvidos sob reserva avaliam que ainda há pontos sem esclarecimento sobre as conversas e sobre o destino do dinheiro investido pelo ex-banqueiro no projeto cinematográfico.

Apesar de Flávio ter afirmado novamente que não haveria novas informações a serem reveladas, essa versão foi recebida com desconfiança por parte de integrantes da legenda. Uma ala minoritária acreditou na explicação do senador, mas dirigentes avaliam que a crise ainda pode produzir novos desdobramentos políticos.

O impacto eleitoral apareceu na primeira pesquisa Datafolha divulgada após o escândalo, nesta sexta-feira (22). No levantamento, Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de primeiro turno. O presidente marcou 40%, contra 31% do senador.

A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios do Brasil, nos dias 20 e 21 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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