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Ex-assessor de Marçal é denunciado por forjar tiroteio e executar delator do PCC e dois mecânicos

Promotores afirmam que a cena do crime foi alterada para sustentar versão de confronto

Ex-assessor de Marçal é denunciado por forjar tiroteio e executar delator do PCC e dois mecânicos (Foto: Reprodução rdes socias)

247 - O Ministério Público de Goiás denunciou o tenente-coronel Edson Luis Souza Melo, conhecido como Coronel Raiado, e o major Renyson Castanheira Silva por homicídio qualificado. Edson Raiado se licenciou da Polícia Militar de Goiás em 2024, mantendo salário bruto de cerca de R$ 33 mil, e passou a atuar como segurança do influenciador e então candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal.

Segundo a acusação, os policiais forjaram um tiroteio para justificar a morte de três pessoas em fevereiro de 2023, entre elas um delator do Primeiro Comando da Capital.

De acordo com a denúncia, os policiais estavam lotados no Comando de Operações de Divisas (COD) quando foram até o local após uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas com uso de helicópteros. Ao chegarem, encontraram as vítimas próximas a três aeronaves e uma caminhonete.

Ainda conforme o Ministério Público, os militares teriam efetuado diversos disparos mesmo sem qualquer reação por parte das vítimas. O documento aponta que Edson Raiado disparou 12 vezes com uma pistola 9mm, enquanto Renyson efetuou três disparos com um fuzil 5.56.

A acusação sustenta que os policiais relataram inicialmente uma troca de tiros, alegando que os suspeitos estariam de frente para eles. No entanto, laudos periciais e exames cadavéricos indicam que os três homens foram atingidos pelas costas e foram baleadas enquanto já estavam caídas e rendidas.

A denúncia também aponta tentativa de alteração da cena do crime. Segundo o MP-GO, após os disparos, os policiais teriam recolhido 12 das 15 cápsulas deflagradas e movimentado os corpos.

Outro ponto destacado é que armas encontradas no local estavam totalmente carregadas e não apresentavam sinais de uso. Elas foram localizadas no banco traseiro da caminhonete, distante das vítimas, o que reforça a tese de que não houve confronto.

Além disso, o Ministério Público identificou inconsistências na linha do tempo apresentada pelos policiais, incluindo atraso no acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Na época do ocorrido, a Polícia Militar divulgou que a equipe foi recebida de forma violenta ao chegar à chácara, localizada às margens da BR-060. A corporação afirmou que houve confronto armado, resultando na morte dos suspeitos e na apreensão de três helicópteros, drogas e três pistolas.

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