HOME > Brasil

Ex-auxiliar direto de Ciro Nogueira na Casa Civil recebeu R$ 1,3 milhão do grupo Refit, diz PF

Jonathas Assunção foi secretário da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro; PF cumpriu mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Refino

Jonathas Assunção (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - As investigações da Polícia Federal que deram origem à Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), apontam que o ex-secretário-executivo da Casa Civil Jonathas Assunção recebeu R$ 1,3 milhão de empresas ligadas ao grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.  As informações são da Folha de São Paulo

Jonathas Assunção atuou como auxiliar direto do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) durante a passagem do parlamentar pela Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL). Posteriormente, ele passou a atuar junto ao grupo Refit, sendo identificado no setor de combustíveis como responsável pelas relações institucionais da empresa.

PF aponta uso de empresas de passagem

Segundo a investigação, o grupo teria utilizado “empresas de passagem” para movimentar recursos e dificultar o rastreamento financeiro das operações. A principal delas seria a Sary Consultoria e Participações Ltda., vinculada a Jonathas Assunção.

A Polícia Federal afirma que a empresa foi aberta em 17 de março de 2025 com capital social de apenas R$ 1.000. Apenas 14 dias depois, a companhia recebeu R$ 1,3 milhão provenientes de empresas ligadas ao grupo Refit e coligadas, entre elas Roar Inovação, Fera Lubrificantes e Flagler.

De acordo com os investigadores, os recursos foram posteriormente transferidos para a conta pessoal de Assunção, identificado como beneficiário final dos valores.

STF autorizou busca e apreensão

Com base nos elementos reunidos pela investigação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandado de busca e apreensão na residência do ex-secretário da Casa Civil.

Jonathas Assunção já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, deflagrada em novembro do ano passado. Antes de atuar junto à Refit, ele chegou a representar Ciro Nogueira no conselho de administração da Petrobras.

Nos bastidores do setor de combustíveis, circula a informação de que a ida de Assunção para o grupo Refit teria ocorrido por indicação de Ciro Nogueira, que mantém proximidade com Ricardo Magro.

Ricardo Magro já chamou Ciro de “amigo”

Em entrevista concedida à Folha em 2025, Ricardo Magro afirmou considerar o senador um amigo, mas negou qualquer tentativa de usar essa relação para obter vantagens empresariais.

A reportagem informou que tentou contato com Jonathas Assunção, mas não conseguiu localizá-lo. As assessorias de Ricardo Magro e de Ciro Nogueira também foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação da notícia original.

Investigação cita atuação de Ciro no Congresso

As investigações também mencionam a atuação de Ciro Nogueira durante as discussões do projeto de lei do devedor contumaz. Segundo a PF, o senador apresentou emendas que poderiam beneficiar empresas do setor de combustíveis ao suavizar punições para grupos econômicos de áreas reguladas, como o petróleo. O projeto tinha como objetivo endurecer regras contra empresas acusadas de sobreviver sem recolher impostos.

No início deste mês, Ciro Nogueira também foi alvo de outra operação da Polícia Federal relacionada ao caso do Banco Master. Na ocasião, o senador sofreu busca e apreensão por suspeitas de ter despesas pagas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. A investigação apura ainda se o parlamentar teria atuado em favor de interesses do banco no Congresso Nacional.

Artigos Relacionados