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Flávio nega "camaradagem" com Vorcaro, mas não explica ligação com dono do Banco Master

Senador divulgou nova nota após revelação de negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, divulgou nesta quinta-feira (14) uma nova nota oficial para negar irregularidades na negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinada ao financiamento de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. 

O parlamentar voltou a afirmar que sua atuação se limitou à busca de investimento privado para a produção do filme sobre a trajetória do pai. O senador também negou qualquer favorecimento político ou relação de “camaradagem” com Vorcaro.

Menção do PT

Flávio Bolsonaro tentou insinuar que o caso Master envolve o PT, mas que ele ignora que o escândalo atingiu diretamente o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), a quem ele já chamou de "Vice ideal". 

O deputado do PP é investigado pela Polícia Federal pelo suposto recebimento de vantagens ilegais atribuídas a Vorcaro. O parlamentar também apresentou uma PEC que favoreceria o master junto ao mercado financeiro. 

Senador tenta afastar suspeitas sobre relação com banqueiro

A nova manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre após a divulgação de suspeitas sobre a relação do parlamentar com Daniel Vorcaro. O dono do Banco Master aparece no centro das apurações que envolvem o financiamento do filme Dark Horse.

Segundo o material fornecido, o senador negociou R$ 134 milhões com o empresário para bancar a produção. A obra trata da trajetória de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

Na nota, Flávio reafirmou que buscou recursos privados para uma produção cultural. Ele também tentou separar a negociação de qualquer ato relacionado ao exercício de seu mandato parlamentar.

Flávio diz que não ofereceu contrapartida

O senador declarou que não houve uso de recursos públicos nem promessa de benefício político a Daniel Vorcaro. A fala central da nota busca responder às suspeitas sobre eventual contrapartida ao banqueiro.

“Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato”, afirmou Flávio Bolsonaro.

A declaração também tenta afastar a hipótese de que o projeto tenha recebido algum tipo de apoio institucional. O senador sustentou que a operação envolvia apenas captação privada para um filme produzido fora do Brasil.

Dark Horse amplia pressão sobre Flávio

O caso ganhou peso político por envolver um pré-candidato à Presidência, um banqueiro ligado ao Banco Master e uma produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. A cifra de R$ 134 milhões elevou a pressão sobre Flávio e ampliou as cobranças por explicações sobre a natureza da negociação.

A nota oficial também negou relação de favorecimento ou proximidade pessoal com Vorcaro. Flávio buscou apresentar a interlocução como uma tentativa de obter investimento para um projeto cultural privado, sem vínculo com decisões políticas ou administrativas.

O material fornecido não traz manifestação literal de Daniel Vorcaro nem informações adicionais sobre contratos, pagamentos ou etapas formais da negociação. Também não apresenta detalhes sobre a estrutura financeira do filme Dark Horse.

Nota busca conter desgaste político

A nova resposta pública de Flávio Bolsonaro tenta conter o desgaste provocado pela revelação da negociação milionária. O senador afirmou que sua participação no projeto não envolveu recursos públicos e não gerou contrapartida vinculada ao mandato.

A defesa política do parlamentar se concentra em três pontos: a natureza privada do investimento, a produção do filme nos Estados Unidos e a ausência de uso de mecanismos públicos de financiamento. A nota também insiste na inexistência de favorecimento ao dono do Banco Master.

Com a manifestação, Flávio tenta enquadrar a relação com Daniel Vorcaro como uma articulação para viabilizar Dark Horse. O caso segue no centro do debate político por envolver o entorno de Jair Bolsonaro, a pré-candidatura do senador e a negociação de alto valor com o banqueiro.

Veja a íntegra da nota emitida por Flávio:

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já. 

Nota anterior

Em nota divulgada nessa quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro aproveitou a repercussão do caso para afimar que é "fundamental a instalação da CPI do Banco Master". "É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou. 

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”.

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