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Fed derruba apetite por risco e pesa sobre a B3

Bolsa recua após sinal duro dos juros nos EUA

Bolsa de Valores (Foto: Amanda Perobelli / Reuters)
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Reuters - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, perdendo fôlego após projeções de autoridades do banco central norte-americano apontarem uma alta na taxa de juros da maior economia do mundo ainda neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,7%, a 168.453,93 pontos, renovando mínima de fechamento desde janeiro. Durante a sessão, chegou a 167.915,71 pontos na mínima, após avançar a 171.878,23 pontos na máxima. O volume financeiro somou R$68,79 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice.

O Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75%, mas a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de redução neste ano foi removida do comunicado que acompanhou a decisão e novas projeções trimestrais mostraram que nove de 19 autoridades do Fed acreditam agora que será necessário aumentar até o fim de 2026.

Pouco antes do anúncio da decisão, bem como da divulgação das previsões, o Ibovespa subia cerca de 1%. 

Na visão do sócio da Nexgen Capital Felipe Izac, o Fed adotou um tom mais "hawkish". Ele pontuou que, embora a chance de o BC dos EUA não reduzir mais os juros ou mesmo elevar a taxa neste ano já estivesse no radar, o posicionamento dos nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) "trouxe um ar de preocupação". 

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em baixa de 1,21%. 

A cena geopolítica permaneceu no radar, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando retomar a campanha de bombardeios se o Irã não se "comportar", mas afirmando que o acordo com Teerã será assinado em breve. O barril do petróleo sob o contrato Brent encerrou o dia com acréscimo de 0,75%, a US$79,55. 

Investidores da bolsa paulista ainda aguardam o desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no Brasil, após o fechamento do mercado, com a maioria das projeções apontando para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano.

"O ponto mais importante será o comunicado. A expectativa é de que o BC corte, mas já prepare o terreno para uma pausa, diante da inflação resistente, atividade ainda forte e risco fiscal", avalia o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.

DESTAQUES

• VALE ON recuou 2,04%, acelerando as perdas à tarde, após a decisão do Fed, em sessão também marcada pelo declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 2,61%. No setor, CSN ON tombou 6,48% e USIMINAS PNA caiu 5,63%, enquanto GERDAU PN cedeu 2,06%.

• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 0,87%, distante da máxima da sessão, em dia misto no setor. Analistas do Bradesco BBI reiteraram recomendação "ouperform" para as ações do Itaú , bem como o preço-alvo de R$45, citando que em um ambiente ainda desafiador, o banco apresenta um balanço defensivo e um forte histórico de execução. O índice do setor financeiro perdeu 0,24%, com B3 ON também pesando com queda de 2,86%.

• PETROBRAS PN encerrou com acréscimo de 0,08% e PETROBRAS ON cedeu 0,58%, em dia de alta do petróleo no exterior.

• NATURA ON perdeu 8,74%, com a alta nas taxas dos contratos de DI após a sinalização do Fed minando o setor de consumo dada a sensibilidade dessas companhias aos juros. O índice de consumo da B3 caiu 1,92%.

• COSAN ON valorizou-se 6,12%, com o anúncio de que a Radar firmou acordo para a venda de 12% do seu portfólio total de propriedades agrícolas por R$1,85 bilhão -- sendo aproximadamente R$ 586 milhões referentes à participação da Cosan. O BTG reiterou recomendação de compra para as ações em relatório no qual destacaram que ficou mais claro o caminho para destravar o "valor significativo" da complexa estrutura do conglomerado.

• WEG ON subiu 2,26%, um dia após aprovar a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$438,146 milhões, com pagamento previsto para 10 de março de 2027 para titulares de ações escriturais em 19 de junho deste ano.

• JALLES MACHADO ON, que não faz parte do Ibovespa, caiu 9,66%, após a produtora de açúcar e etanol divulgar o resultado do quarto trimestre da safra 2025/26 e projeções para a safra 2026/2027.

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