Filhos de Bolsonaro se afastam de Michelle, que articula no STF e tenta recolocar Tarcísio no jogo eleitoral
Movimentação de Michelle aprofunda disputa interna no bolsonarismo e reacende debate sobre sucessão para 2026
247 - A movimentação política de Michelle Bolsonaro junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do pedido de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro aprofundou o distanciamento com os filhos e eleva o clima de disputa no clã bolsonarista sobre a sucessão política.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, interlocutores afirmam que Michelle vê na possibilidade de Bolsonaro cumprir pena em casa uma chance de reabrir o debate eleitoral, hoje concentrado no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e de recolocar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa para 2026.
O atrito se intensificou após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, período em que Tarcísio cancelou uma visita a Bolsonaro e Michelle ampliou articulações com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF. Entre os filhos, a movimentação passou a ser interpretada como uma tentativa de a ex-primeira-dama se firmar como “porta-voz institucional” do bolsonarismo.
Aliados relatam que a estratégia no STF ocorre em etapas, começando pela defesa de melhores condições de custódia e avançando para o pedido de prisão domiciliar por motivos de saúde. Alexandre de Moraes analisa um novo pedido da defesa e aguarda informações da Polícia Federal sobre a perícia médica.
Dentro da família, porém, o movimento é visto como parte de uma reorganização da direita para 2026. Pessoas próximas a Bolsonaro afirmam que Michelle sustenta que Flávio teria se antecipado ao se colocar como herdeiro natural do bolsonarismo. Com Bolsonaro em casa, ela poderia ampliar sua influência e defender uma chapa liderada por Tarcísio.
A reação mais explícita partiu de Carlos Bolsonaro, que, em publicações nas redes sociais, sugeriu incômodo com movimentos internos do bolsonarismo. Já Flávio reforça que é o nome indicado pelo pai: "Eu sou o pré-candidato indicado pelo presidente Bolsonaro. Tenho uma carta escrita e assinada por ele", disse.
Aliados reconhecem que a indicação de Flávio segue válida, mas admitem que mudanças de cenário podem ocorrer, mantendo a disputa interna aberta no entorno do ex-presidente. Resta saber se essa é de fato uma realidade ou parte do desejo do mercado endossado pelo O Globo. A ver.


