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Fim da escala 6x1 ganha força no Congresso e mobiliza centrais

Proposta de redução da jornada sem corte salarial avança com apoio do governo Lula e entra no centro da agenda sindical

Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6x1 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A mobilização pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem diminuição de salários passou a ocupar o centro do debate político e sindical no Brasil. A proposta tramita no Congresso Nacional e conta com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo, além de integrar a pauta prioritária das centrais sindicais e movimentos sociais.

As informações constam de artigo publicado no site da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), assinado por seu presidente, Adilson Araújo. No texto, ele afirma que a medida representa uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e destaca que a mobilização em torno do tema se intensifica diante do cenário político atual.

Segundo Araújo, a redução da jornada sem corte de salários é uma “bandeira histórica” dos trabalhadores brasileiros. Ele sustenta que a proposta encontra resistência de setores empresariais, que vêm alertando para possíveis impactos negativos na economia, como queda do Produto Interno Bruto (PIB), falência de empresas e aumento do desemprego.

O dirigente contesta esse posicionamento e argumenta que as projeções alarmistas não se sustentam. Para reforçar seu ponto, cita estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que conclui que a “redução da jornada de trabalho teria custo similar ao de reajustes históricos do salário mínimo” e poderia ser absorvida pelas empresas, especialmente as de maior porte, com custo adicional estimado em 1%.

De acordo com o artigo, a análise do Ipea indica que a economia nacional não sofreria abalos estruturais com a mudança. O texto também lembra a experiência da Constituição de 1988, quando a jornada semanal foi reduzida de 48 para 44 horas, medida que, à época, também enfrentou forte oposição de setores patronais.

A avaliação apresentada pela CTB aponta ainda para possíveis efeitos positivos sobre a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. O fim da escala 6x1, segundo Araújo, tende a elevar a autoestima e melhorar as condições de vida de milhões de brasileiros. Ele menciona a expectativa de redução de doenças ocupacionais, como a Síndrome de Burnout e o estresse, que, conforme o texto, atingem 70% dos assalariados no país.

O dirigente argumenta que a melhoria nas condições de trabalho pode, inclusive, contribuir para o aumento da produtividade, ao mesmo tempo em que estimula empresas a buscar inovação para compensar eventuais custos adicionais. Também ressalta que o atual cenário político abre espaço para o avanço da pauta, embora alerte para a influência do empresariado no Congresso Nacional.

Para a CTB, a aprovação da proposta depende de uma mobilização ampla da classe trabalhadora, com atuação coordenada das centrais sindicais. No artigo, Adilson Araújo defende a intensificação do trabalho de conscientização e organização das bases em torno da redução da jornada, apresentada como conquista estratégica para o conjunto dos trabalhadores brasileiros.

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