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Flávio Bolsonaro tenta pacificar o PL, dividido internamente

Últimos dias foram marcados por atritos entre Eduardo, Michelle e Carlos Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Nikolas Ferreira

Senador Flávio Bolsonaro 15/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou, nos últimos dias, sua agenda política para consolidar sua pré-candidatura à Presidência da República e reorganizar as estratégias do PL nos estados. De volta ao Brasil após viagens internacionais, ele tem se dedicado a definir alianças e candidaturas consideradas estratégicas para fortalecer seu projeto eleitoral, informa o Metrópoles.

Aliados relatam que o parlamentar trabalha para fechar o desenho das chapas estaduais antes do início oficial de sua agenda de lançamentos, prevista para março. A meta é anunciar pré-candidaturas em diferentes regiões e chegar ao período pré-eleitoral com a estrutura partidária organizada. As articulações contam com o aval direto de Jair Bolsonaro (PL), que delegou ao filho a condução de decisões políticas relevantes dentro da legenda.

Definições no Rio e em Santa Catarina

Entre terça-feira (24) e quarta-feira (25), Flávio anunciou desfechos de disputas internas no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. No Rio, ele conseguiu emplacar o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL), como candidato ao governo estadual, superando divergências com o governador Cláudio Castro (PL). Também comunicou que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, não terá espaço na sigla para disputar a reeleição.

Em Santa Catarina, sob orientação do pai, o senador confirmou uma chapa exclusivamente formada por nomes do PL para a disputa ao Senado: Caroline De Toni e o ex-vereador Carlos Bolsonaro, seu irmão. A decisão contrariou planos do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e evidenciou a influência crescente de Flávio nas definições para o Legislativo.

Retorno ao país e reunião por "união"

A intensificação das agendas ocorreu após viagens ao exterior. Durante o Carnaval, o senador esteve nos Estados Unidos, onde discursou na organização conservadora PragerU. Em janeiro, cumpriu compromissos no Oriente Médio e na Europa.

Na quarta-feira, Flávio visitou o pai na Papudinha, onde Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. À tarde, reuniu deputados e senadores do PL para defender “união” em torno de sua pré-candidatura. Parlamentares classificaram o encontro como uma agenda de alinhamento interno.

De acordo com relatos, o senador afirmou que a construção de alianças pode gerar insatisfação entre correligionários, mas pediu colaboração, destacando que o projeto nacional deve prevalecer sobre interesses individuais.

Anotações e negociações nos estados

Um documento com anotações atribuídas a Flávio revela envolvimento direto na definição de palanques estaduais. Nos registros manuscritos, o senador aponta conversas pendentes com aliados e negociações ainda em curso.

Em um dos trechos, há menção à chapa à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As anotações questionam o nome do vice, indicando possível desconforto com o atual ocupante do cargo, Felício Ramuth (PSD). Flávio deve se reunir com Tarcísio para tratar da formação do palanque no maior colégio eleitoral do país.

Expansão nacional e foco no Senado

Valdemar Costa Neto declarou que o senador começará a percorrer o país nas próximas semanas. “Agora. [Ele] vai ter que começar agora”, afirmou. A previsão é que Flávio participe, em 22 de março, do lançamento da pré-candidatura de Efraim Filho ao governo da Paraíba e, no dia 28, esteja no Rio Grande do Sul.

O partido avalia que a montagem das chapas estaduais é etapa central da estratégia presidencial. Flávio indicou que o PL poderá lançar até 11 candidatos a governador. Paralelamente, a legenda trabalha para ampliar sua bancada no Senado — movimento defendido por Jair Bolsonaro como prioridade estratégica.

Valdemar afirmou ainda que não exerce influência nas escolhas de candidatos ao Senado. “Tenho alguma influência só para governador”, declarou.

Tentativa de apaziguamento interno

Além das articulações eleitorais, Flávio tem atuado para reduzir tensões dentro do campo bolsonarista. Divergências envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ganharam visibilidade nas últimas semanas.

Em reunião com parlamentares, o senador buscou afastar qualquer desentendimento com Michelle ou Nikolas. O deputado mineiro participou do encontro e fez elogios a Flávio. Michelle não esteve presente, mas enviou mensagem informando que visitava o ex-presidente na Papudinha.

Aliados relatam que o senador também trabalhou para aproximar o deputado Eduardo Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas. À imprensa, afirmou que o irmão conversou com o chefe do Executivo paulista.

Lançado pelo pai como pré-candidato ao Planalto ainda em 2025, Flávio Bolsonaro assumiu protagonismo nas decisões estratégicas do PL para 2026. A construção de alianças estaduais, a ampliação da presença no Senado e a busca por apoio de partidos de Centro compõem o eixo central da estratégia eleitoral em curso.

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