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Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro para ficar de fora da delação, afirma Renan Santos

Pré-candidato do Missão disse ao Metrópoles que senador teria buscado acordo com Daniel Vorcaro para não ser citado em colaboração

Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Foto: Agência Senado | Reprodução/YouTube)
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247 - O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria procurado o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, para evitar ser mencionado em uma possível delação premiada. As declarações foram dadas em entrevista ao portal Metrópoles, publicada nesta quinta-feira (22).

Segundo a reportagem original do Metrópoles, o encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ocorreu no fim do ano passado e já havia sido revelado anteriormente pela coluna da jornalista Andreza Matais. Nesta semana, a Polícia Federal recusou a proposta de delação de Vorcaro sob o argumento de que o empresário não apresentou fatos inéditos nas negociações com os investigadores.

Renan Santos afirmou que recebeu informações de bastidores sobre o encontro entre o senador e o empresário mineiro. “O que eu estou sabendo de bastidores é que a visita do Flávio ao Vorcaro (...) era tratando de sair fora da delação”, declarou. Segundo ele, o objetivo da conversa seria impedir que Flávio fosse citado em eventual colaboração premiada.

Renan associa visita a tentativa de evitar desgaste político

Na entrevista, Renan Santos afirmou que Flávio Bolsonaro teria acreditado que a situação estava controlada após o encontro com Vorcaro. “Ele percebeu que deu problema e, aparentemente, obteve um combinado com o Vorcaro de não entregá-lo”, disse.

O dirigente do MBL também declarou que o senador passou a se movimentar politicamente com mais tranquilidade após a reunião. “Tanto que ele ficou seguro e saiu fazendo seu périplo junto a empresários e visitas ao mercado financeiro. E dizendo que só esteve com ele uma vez, mas não houve nada. Achou que estava seguro”, afirmou.

Flávio Bolsonaro confirmou anteriormente que se encontrou com Daniel Vorcaro, mas afirmou que o encontro não tratou de irregularidades. O senador é apontado como possível pré-candidato do PL à Presidência da República em 2026.

Pré-candidato diz que confronto em debate constrangeria Flávio

Durante a entrevista ao Metrópoles, Renan Santos também comentou a informação de que a campanha de Flávio Bolsonaro teria condicionado a participação do senador em debates à ausência do dirigente do Missão.

“Eu não estou surpreso. Flávio parece me enxergar como um demônio ou alguém que vá persegui-lo”, afirmou Renan. Segundo ele, o contraste de propostas entre os dois já seria suficiente para gerar desgaste político ao senador.

Renan ainda declarou que pretende abordar temas ligados ao passado político de Flávio Bolsonaro em eventual debate presidencial. “Vou falar sobre o passado dele, sobre o Adriano (...) e falar agora sobre esse escândalo recente”, disse, em referência às trocas de mensagens envolvendo Daniel Vorcaro.

Renan minimiza caso da Ucrânia e critica relação com Vorcaro

Questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro usar contra ele o episódio envolvendo os áudios vazados da viagem de Arthur do Val à Ucrânia, em 2022, Renan Santos minimizou o caso.

“Da nossa parte, o que houve foi o escândalo heterossexual de um áudio infeliz, mas no mínimo engraçado, do meu amigo Arthur. Em que absolutamente zero reais foram desviados, e não houve nenhum crime cometido”, declarou.

Em seguida, ele voltou a criticar a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. “O áudio atesta uma relação que necessariamente é criminosa”, afirmou. Segundo Renan, haverá aprofundamento das investigações sobre a negociação envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.

Segurança pública domina discurso do pré-candidato

Outro tema central da entrevista foi segurança pública. Renan Santos defendeu medidas rígidas contra o crime organizado e afirmou que adotaria políticas inspiradas no chamado “direito penal do inimigo”.

“O direito penal do inimigo faz com faccionado. Nós precisamos atuar dessa maneira, do pequeno ao grande traficante”, afirmou.

O dirigente do MBL também defendeu punições severas contra influenciadores e artistas que, segundo ele, atuariam como porta-vozes de organizações criminosas. “Se for demonstrado que essa influenciadora está ligada ao crime, ela não tem direito a ter opinião pública: ela tem que ser presa”, declarou.

Renan citou nominalmente a influenciadora Deolane Bezerra ao comentar operações policiais envolvendo lavagem de dinheiro. Segundo ele, pessoas enquadradas nesse modelo poderiam perder benefícios penais e ter tratamento mais rigoroso pelo sistema de Justiça.

Renan critica STF e promete endurecimento contra facções

Na entrevista, Renan Santos também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que, se eleito presidente, não cumpriria ordens judiciais que considerasse ilegais durante operações de combate ao crime organizado.

“Se eu fizer, por exemplo, uma operação na Rocinha ou em Santa Quitéria, no Ceará, e vier uma decisão do STF impedindo, eu (...) não vou respeitar uma decisão que considero eminentemente ilegal”, afirmou.

O pré-candidato também comentou seu slogan de campanha, “prendeu ou matou”, e declarou que operações policiais podem resultar em mortes durante confrontos armados.

“Se, em uma operação, a pessoa se entrega, ela é presa. Se mantém a arma e troca tiro, não há outro caminho”, disse.

Pré-candidato aposta em jovens e defende reformas econômicas

Renan Santos também falou sobre o perfil de seu eleitorado e afirmou que homens jovens têm sido a principal base de apoio de sua pré-candidatura.

“Existe uma separação crescente na geração Z: mulheres mais à esquerda e homens mais à direita”, declarou. Segundo ele, esse fenômeno também ocorreu em campanhas de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro.

Na área econômica, Renan defendeu uma nova reforma da Previdência, mudanças em regras de reajuste de aposentadorias e revisão de gastos obrigatórios. “Se um pacote amplo como esse for aprovado, você resolve a questão fiscal por décadas”, afirmou.

O dirigente do Partido Missão também voltou a defender mudanças estruturais no pacto federativo e disse que pretende fortalecer prefeitos e endurecer critérios de gestão pública caso chegue ao Palácio do Planalto em 2027.

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