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Fraudes no Banco Master levam BRB a virar sócio de restaurantes e shoppings

Banco de Brasília recebeu ativos como compensação por títulos fraudulentos e avalia negociar fundos ligados a bares, restaurantes e centros comerciais

Fraudes no Banco Master levam BRB a virar sócio de restaurantes e shoppings (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

247 - As irregularidades envolvendo a compra do Banco Master resultaram na entrada do BRB (Banco de Brasília) em sociedades com fundos que controlam mais de uma centena de restaurantes e quatro centros comerciais distribuídos por diferentes regiões do país.

A informação foi divulgada pelo blog do jornalista Matheus Teixeira, da CNN. Segundo a apuração, o Banco Master repassou ao BRB ativos com valor de mercado como forma de mitigar as perdas. A operação ocorreu no ano passado e, agora, a atual gestão do BRB avalia negociar essas participações.

Um dos ativos envolve o fundo Strelitzia, que tem como um de seus administradores a Reag Trust Administradora de Recursos, empresa no centro do escândalo do Banco Master. Com a transação, o BRB passou a integrar o quadro societário do fundo.

O Strelitzia é um dos proprietários do Alife Nino, um dos maiores grupos de bares e restaurantes do país. O conglomerado reúne 14 marcas e mais de 70 operações em 11 estados, incluindo restaurantes como Nino, Peppino e Irajá Redux, além de bares como Boteco Rainha, Boteco Boa Praça e Eu Tu Eles.

Considerado um dos dez maiores grupos de food service do Brasil, o Alife Nino adquiriu no ano passado, por R$ 198 milhões, o concorrente Drumattos, que possui mais de 70 restaurantes e é dono das marcas Camarada Camarão e Camarão & Cia. O presidente do grupo é Pedro Silveira, ex-CEO da XP Internacional e ex-CFO do Corinthians.

De forma semelhante, o BRB tornou-se sócio do fundo Macam e, consequentemente, passou a ter participação em quatro shoppings localizados no Distrito Federal, no Paraná, em Goiás e no Espírito Santo. Ao todo, o banco tem participação em ao menos oito fundos de investimento ligados às fraudes do Banco Master.

Em nota, o BRB afirmou que acompanha as apurações do Banco Central e que “prioriza ações de fortalecimento de liquidez, redução de riscos e otimização de capital”. O banco acrescentou que as operações relacionadas à Operação Compliance Zero estão sob análise de investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll, e que mantém cooperação integral com as autoridades.

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